10 de julho de 2026
Política

Bauru irá ganhar centro de estudos de movimento popular de memória

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 2 min

Será inaugurado em Bauru, nos próximos de 15 dias, o Centro de Estudos Políticos, Sociais e de Preservação da Memória dos Movimentos Populares “Nossa Memória Ninguém Apaga”. O local terá como atividades a realização de seminários e cursos, visando o estudo político e social, da conjuntura política e a preservação da memória dos movimentos populares do município e região.

“O objetivo é preservar e organizar os acervos que, muitas vezes, não são doados para as instituições públicas, e abrir o debate para toda a comunidade. Além disso, o Centro é um local suprapartidário. Temos pessoas dos mais diversos partidos e outras que não são ligadas a nenhuma legenda que faz parte da diretoria dele”, diz o presidente da entidade, Antonio Pedroso Júnior.

Durante a inauguração do Centro, que ainda não tem data definida, será realizada uma exposição com 60 fotografias de movimentos estudantis, greves e outros de temas emblemáticos que marcaram a história da cidade. O público também poderá assistir à exibição do documentário “Subversivos Anônimos”.

Até a abertura oficial do empreendimento, que deve funcionar provisoriamente na rua 13 de Maio, 847, em horário comercial, os organizadores irão acertar detalhes de doações de documentos importantes para a memória dos movimentos populares de Bauru, como, por exemplo, o acervo de José Duarte, que conseguiu emprego no setor de tração da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), onde iria começar a sua trajetória de lutas em defesa da classe trabalhadora e que o transformariam em um dos principais dirigentes do comunismo brasileiro, sendo que, por sua intensa militância política, passou cerca de 17 anos nos cárceres, durante o Estado Novo de Getulio Vargas e posteriormente durante a Ditadura Militar.

“A filha do José Duarte iria doar todo o acervo do pai para a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Sabendo que a gente iria fundar este Centro, ela quer conversar conosco sobre isso”, afirma Pedroso, que também é vice-presidente da executiva municipal do PSB.

Além da possibilidade de receber o acervo de Duarte, o Centro já conta com material do Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) de Ibiúna, em 1968, onde mais de 800 estudantes foram presos, e ainda documentos do antigo Departamento de Ordem Política e Social (Dops), disponibilizados pelo presidente. “Estamos acertando os últimos detalhes para inaugurar o ‘Nossa Memória’. Qualquer pessoa interessada pode nos procurar para fazer a doação. A idéia é que, posteriormente, o Centro vá para um local maior, aumentando sua capacidade de armazenamento do acervo.”