Muda a cidade, mas a situação caótica do sistema público de saúde é o mesmo. Duas idosas, uma internada no Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru, e outra no Pronto-Socorro de Agudos, aguardam vaga para internação em hospital há vários dias. Ambas precisam passar por cirurgia, procedimento não realizado nas unidades de saúde onde estão internadas recebendo tratamento clínico.
A aposentada Maria Aparecida Gustavo Drobenisch, 80 anos, que é diabética, hipertensa e que tem apenas 5% da visão, foi internada no Pronto-Socorro de Agudos, onde mora, no último sábado após, numa queda, ter fraturado o fêmur. No mesmo dia, os médicos contataram a Central de Regulação de Vagas da Direção Regional de Saúde (DIR-6) para solicitar vaga de internação hospitalar da idosa – no Hospital de Base ou Hospital Estadual, ambos em Bauru -, conta Francisco Bernardes, sogro da aposentada. “Mas desde então, apesar de falarmos com muita gente, estamos esperando. O pior é que temos informação de que outras pessoas estão sendo internadas”, reclamou.
Hoje ele pretende procurar o Ministério Público para solicitar judicialmente vaga para internação. Em Bauru, Benedita Camargo Haro, 82 anos, está internada há quatro dias no PSC devido a uma obstrução arterial. Ela aguarda vaga em hospital para cirurgia vascular, relata o médico Luiz Antonio Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Emergência.
“Já tentamos a Central de Regulação de Vagas e nada. A nossa preocupação é que ela corre o risco de perder a perna”, ressalta ao explicar que, por conta do problema, a circulação na perna da idosa está comprometida. A Justiça seria o caminho mais curto para obter a vaga, mas o único parente da idosa que o PSC tem contato é o marido dela, que é idoso.