Recife - A baixa visibilidade causada pelo mau tempo prejudica o trabalho de buscas da Aeronáutica pelo avião da Air France que caiu no oceano Atlântico com 228 pessoas a bordo. No quinto dia de operação, nenhum pedaço pertencente à aeronave foi recolhido do mar e não há sinal de corpos, informou a FAB ontem.
A Aeronáutica admitiu na noite de ontem que não tem mais a localização dos destroços avistados no oceano Atlântico ao longo da semana. De acordo com brigadeiro Ramon Borges Cardoso, diretor do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), as correntes marítimas fizeram o material já avistado, desaparecer. “Hoje estamos iniciando buscas em pontos onde, de acordo com a corrente, os materiais deverão estar”, afirmou o brigadeiro.
Segundo o diretor do Decea, a prioridade era localizar sobreviventes ou corpos nos primeiros dias de buscas. Agora, os trabalhos priorizam o encontro de destroços.
“Quando localizava alguma coisa, então, colocava uma aeronave para verificar. Em seguida, abandonavam, para não perder tempo, porque poderia ter sobrevivente ou corpo. Com possibilidade reduzida, a aeronave avista qualquer coisa, circula, verifica probabilidade e, se houver possibilidade (de ser destroços do voo), manda um navio par fazer recolhimento”, afirmou Cardoso.
“A dificuldade, além de pedaços serem pequemos e área grande, alguns dos destroços podem ter afundado. Não temos garantia que ficarão flutuando tempo todo”, disse o diretor do Decea.
Ajuda
Ontem, a aeronave francesa Atlantic Rescue D passou a integrar as equipes de busca - outra aeronave francesa e uma americana também participam das buscas. No total, 12 aeronaves estão mobilizadas na Base Aérea de Natal e em Fernando de Noronha para o trabalho, além dos três navios e um helicóptero da Marinha. Dois outros navios da Marinha estão a caminho. O órgão francês de investigações de acidentes aéreos deve divulgar um relatório inicial sobre o acidente até o fim do mês, mas encontrar evidências nos destroços da aeronave e, principalmente, a caixa-preta, é essencial para as investigações.
O ministro da Defesa francês, Herve Morin, informou que um submarino nuclear francês equipado com sonar vai ajudar nas buscas e a procurar as caixas-pretas do avião. Um navio francês equipado com um minisubmarino não-tripulado deve chegar no domingo à região, que tem profundidade de até 3.000 metros.
Destroços são do avião
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, voltou ontem a afirmar que tem indícios suficientes para dizer que o avião acidentado da Air France caiu em área próxima de onde foram identificados possíveis destroços. “Alguns (destroços) são, outros não. Alguns são lixos marinhos, mas há uma série de elementos que diz e mostra claramente que essa aeronave caiu naquela região”, afirmou Jobim.
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Visita foi “teatro’
Rio - Organizada pela Aeronáutica, a visita de parentes de passageiros do voo da Air France ao Cindacta 3 (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle do Espaço Aéreo), em Recife, ontem, foi descrita por um dos dez participantes do grupo como um “teatro”.
Para Newton Marinho, cujo irmão estava no Airbus desaparecido, a palestra dos militares poderia ter sido feita no Rio, onde ocorre o atendimento às famílias pela Air France.
Na reunião, a portas fechadas, os militares falaram das dificuldades na busca diante do mau tempo e da extensão da área. Os familiares também puderam perguntar, mas não tiveram aval para sobrevoar a região com as equipes de resgate.
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França: processo por homicídio é aberto
Paris - A Promotoria francesa anunciou ontem a abertura de um inquérito sobre o desaparecimento do Airbus A330 da Air France na rota Rio-Paris.Embora ressalte que o processo penal não é direcionado contra ninguém específico, o Ministério Público de Paris afirma que o objetivo é apurar as responsabilidades pelo acidente
Uma investigação preliminar já havia sido iniciada na terça-feira, quando o Ministério Público adiantara que um processo penal seria aberto “rapidamente”. Trata-se de um procedimento comum em casos de acidentes, e que será decisivo para determinar quem será o responsável por arcar com o pagamento de indenizações.
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Advogados assediam famílias
Rio - A Air France denunciou à OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no Rio que advogados estão assediando parentes das vítimas do Airbus desaparecido no último domingo. Segundo o presidente da entidade, Wadih Damous, os profissionais que importunarem os familiares dos ocupantes do avião serão punidos.
“Aqueles profissionais que estiverem violando o código de ética e disciplina responderão disciplinarmente pela grave irregularidade. Advogado não é abutre a farejar a dor humana, nem a advocacia deve ser confundida com revenda de automóveis ou anúncio de peças íntimas”, disse o presidente da OAB.