São Paulo - O anúncio de que o governo prepara redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre o carro elétrico, feito pelo ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), abre novas perspectivas para a produção do veículo no Brasil, de acordo com especialistas.
Uma das principais queixas era justamente a falta de incentivo governamental, em um quadro em que o desenvolvimento dos carros movidos a eletricidade já é difícil por conta dos altos custos da tecnologia e da concorrência do álcool.
A proposta faz parte do Plano Nacional sobre Mudança do Clima e deverá ser concluída até o final deste ano, afirmou Suzana Kahn, secretária de mudança climática e qualidade ambiental do Ministério do Meio Ambiente. Além da isenção fiscal, a proposta deve contemplar também programas de renovação de frotas oficiais.
“Essa é uma notícia alvissareira, porque dá uma chance para que esse produto comece a ser difundido no Brasil”, afirma o diretor de desenvolvimento da Fiat, Carlos Eugênio Dutra, responsável pelo projeto de veículos movidos a eletricidade da montadora no país.
Já estão em circulação no Brasil 30 veículos modelo Palio Weekend elétricos, como parte de um projeto que prevê, inicialmente, a fabricação de 50 unidades até o ano que vem.
O projeto teve início em 2006 e surgiu da parceria entre a Fiat, a hidrelétrica Itaipu e a empresa suíça de energia KWO. A montadora instalou uma linha de montagem dentro de Itaipu para fabricar os carros, cuja bateria tem autonomia para 120 quilômetros.
Sem imposto, o preço do carro chega a R$ 80 mil, enquanto o mesmo modelo movido a combustão sai a partir de R$ 39.290,00 (preço cheio). “Com essa proposta do governo, podemos ter a formação de um público e ganhar escala para reduzir custos”, diz Dutra.
Nicho
Para o sócio-diretor da PriceWaterhouse Coopers, Marcelo Cioffi, em médio prazo o carro elétrico pode criar um nicho, mas a formação de um mercado de grande escala depende de investimentos maiores em infraestrutura energética. “Como você vai recarregar o carro se estiver no trabalho, por exemplo? Para que seja aplicável o carro elétrico, é preciso criar outra estrutura.”
E, diferentemente do que ocorre nos EUA, no Brasil o álcool e os motores flex inibem os carros elétricos. “Pesquisas de mercado mostram que o consumidor não está disposto a pagar a mais para ter um carro com tecnologia verde.” Daí a necessidade de haver incentivos do governo, afirma. Segundo Kahn, do MMA, o governo vê no carro elétrico uma “uma frente importante de tecnologia alternativa”.
Mas antes do carro só elétrico, é mais provável que o veículo híbrido, que mistura eletricidade e combustão, consiga se difundir mais rapidamente no mercado. “Nesse caso, não se exige uma bateria com autonomia muito elevada, e o custo fica mais viável”, diz Cioffi.