09 de julho de 2026
Geral

Proibida ao volante, a velocidade é estimulada por ritmo da vida moderna

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Com o dia tomado por compromissos, mal percebemos o nascer e o pôr-do-sol. Como nos filmes, as folhas do calendário passam tão rapidamente que, quando percebemos, o ano já acabou. Estamos treinados a viver em velocidade. Sites nos ajudam, por exemplo, a medir a rapidez da conexão com a Internet. Lentidão é inadmissível. Até beira o insuportável conviver com alguém mais moroso. A correria é mesmo uma exigência da vida moderna. E, ao mesmo tempo, uma aparente contradição: ela própria proíbe velocidade ao volante.

A contradição não é a única variável a prejudicar campanhas que pregam direção defensiva e prudência ao dirigir. Forçar o velocímetro também pode ser uma questão de poder, status e auto-afirmação, especialmente em adolescentes e adultos jovens. Para muitos deles, o “exercício” de pisar fundo no acelerador com a “competência” de controlar o carro também é um meio de testar os próprios limites - ou até os limites do mundo. Velocidade ainda é sinônimo de adrenalina, hormônio do prazer, principalmente a esportistas dependentes dela.

E não é preciso dominar as pistas oficiais de corrida para render-se ao fascínio exercido por carros velozes. Mesmo quem nunca viu pessoalmente um Bugatti Veyron conhece a fama do veículo, apontado como o mais rápido da atualidade. Longe de chegar aos pés dele, tem quem invista em automóveis para testá-los em pistas de aceleração. Sem elas por perto, grupos se arriscam em estradas vicinais da região. Muitos voltam com histórias radicais para contar aos netos. Outros, com o peso de comunicar a morte de um amigo.

Tristeza

Muito pior para as famílias que também sofrem com a perda de motoristas prudentes, preocupados com a segurança alheia, sem qualquer interesse em questões como pistas, carros ou velocidade. Para quem fica com a dor, em vários casos, resta o consumo de medicamentos tarja preta para suportar, pelo menos inicialmente, o convívio com a fatalidade. Apenas neste ano, em Bauru, 14 pessoas morreram em acidentes de trânsito, segundo a Polícia Militar (PM). A corporação, com base em estatísticas, elegeu a avenida Nações Unidas como a recordista em acidentes dessa natureza.

É possível que, por ela, também transitem motoristas sujeitos a alterações emocionais quando assumem o volante. É o típico caso do personagem do Walt Disney, no desenho “Pateta no Trânsito”, que termina mal no último quadro.

Por conta de tantas lágrimas e variáveis intrínsecas à questão, o mundo veloz pede ao menos um minuto para reflexão. Sem conscientização, o motorista só pára morto - sem aproveitar os e-mails que lhe sugerem um final de semana num hotel fazenda qualquer para espairecer. Eis a alternativa disponível pela sociedade moderna à correria diária.

Mas atenção: para chegar lá, não consuma bebida alcoólica e, de preferência, faça um curso de direção defensiva. Talvez as informações não sejam inéditas, nem absolutamente completas, mas não fazem mal, de forma alguma.