Difícil quem não tenha assistido ao desenho da Walt Disney “Pateta no trânsito” (“Motor Mania”). Engraçado, ele conta a história do senhor Walker (pedestre em inglês). Criatura de hábitos comuns, é morador de um bairro tranquilo, de pessoas decentes. É considerado bom cidadão, de inteligência razoável, gentil, amável, pontual e honesto. Senhor Walker não machucaria uma mosca, tampouco uma formiga. Ele possui um automóvel e se considera um bom motorista. Mas quando pega no volante, acontece um fenômeno estranho e ele se transforma no senhor Wheller (trocadilho com “wheel”, direção em inglês).
Levado pela forte sensação de poder, sua personalidade muda completamente e ele se transforma num monstro incontrolável, um motorista diabólico. Esse tipo de alteração emocional não ocorre apenas na ficção. Segundo o psicólogo Marcelo Mendes, professor da USC, as pessoas podem mesmo ter uma alteração de personalidade, situação que provoca comportamento diferenciado no trânsito.
“Ele tem uma alteração de comportamento porque é ansioso, tem medo, é inseguro, tem um conflito familiar, interior e, muitas vezes, ao desenvolver determinada atividade, mobiliza esse comportamento”, analisa. No entanto, o psicólogo pondera que a mudança de comportamento pode estar relacionada com as condições do próprio veículo, da via e da mobilidade humana. “Essa questão da urgência, de chegar logo, de andar de um lugar para o outro com maior otimização é um dos fatores”, finaliza.