Há 32 anos, o piloto bauruense Marcel Sona Cardoso tem a velocidade como amiga quase inseparável. Bicampeão brasileiro de Supermoto e colecionador de uma extensa lista de títulos, aos 4 anos viu despertado o amor pela velocidade. Atualmente, ele tem 36 anos.
“Meu pai desenvolveu uma motoquinha e eu andava em chácara, sítio. Com 4 anos, eu já estava movido à adrenalina. Durante minha carreira, parei de correr várias vezes, mas não consigo”, admite. Para Cardoso, a velocidade está associada à emoção, desafio e autocontrole. “É muito mais seguro imprimir velocidade na pista do que estar a 20 por hora na cidade, sem equipamento de segurança”, diz. Apesar da avaliação, nunca sofreu acidentes nas ruas. Nas pistas, soma fraturas.
Do homem à máquina
Para Edir Basílio Marquesein, velocidade é sinônimo de dor. Em novembro do ano passado, ela perdeu o filho de 28 anos, por conta de um acidente de trânsito. “Não adiantou meu filho não estar correndo. Deixou um filho de 7 anos”, conta. Para ela, a situação reflete o quanto os homens transformaram-se em máquinas.
“Ninguém tem mais amor a Deus, ninguém pensa no próximo. Nos transformamos em máquinas usadas por outras pessoas. Vivemos num mundo de violência”, avalia.
Até hoje, lamenta não ter sido contatada uma única vez pela família do condutor do veículo que bateu no dirigido por seu filho. “O rapaz estava a 170 quilômetros por hora e parou a 135. Meu filho tinha acabado de completar 28 anos. Era uma pessoa boa, lindo. Quebrou o pescoço na hora.”