O comerciante Joaquim Carlos do Prado, o “Carlinhos do Prado”, tem uma cantina na cidade de Anhembi. Num sábado comum, ele vende no máximo 50 marmitex, mas no dia 30, faturou 10 vezes mais e faturou 500 marmitex. O comerciante comemora as vendas que bateram o recorde. “Estou aqui há um ano. O movimento de pessoas é muito grande durante a festa. Muitos moradores fizeram, de maneira caseira, em suas próprias casas, comida e revenderam. Há ainda as barracas de lanches e guloseimas.”
Prado comenta que aos sábados usa um pacote de cinco quilos de arroz para confeccionar os marmitex. No sábado da festa usou 13 pacotes. “Para os comerciantes a festa é sinônimo de aumento no faturamento. Movimenta o comércio.”
Do mesmo pensamento compartilha o prefeito Rui Ferreira de Souza. “A festa do Divino Espírito Santos é fé e devoção. Também é sinônimo de um incremento na economia local. Pretendo melhorar a estrutura para receber os visitantes. Este ano, instalamos 80 banheiros femininos e masculinos, mesmo assim não foram suficientes. Montamos os barracões. Ainda há muito a fazer”, admite.
Não só para os comerciantes, o dia é atípico. Moradores aproveitam a oportunidade para faturar algum. Há aluguel de banheiros, quartos e servem comida caseira, já que em Anhembi não possui hotel.
Para tomar um banho quente, o visitante teve que disponibilizar R$ 3,00, para usar o banheiro, R$ 1,00 e para levar a oração do Espírito Santo com direito a uma flor e uma medalhinha, R$ 3,00.
Os ambulantes, vindos em sua maioria da Capital, aproveitaram a oportunidade para faturar, até com produtos que não tinham nenhuma relação com a festa. Uma verdadeira 25 de março, fazendo um paralelo com a rua movimentada de comércio de São Paulo, foi montada na entrada da cidade. No local era possível adquirir desde um par de sapatos até lenços para pescoço, passando por brinquedos, meias, perfumes e uma infinidade de produtos.
____________________
Ocorrências policiais são raras
Apesar da festa reunir cerca de 30 mil pessoas, as ocorrências policiais são raras, segundo o comando de São Manuel que reforçou o policiamento urbano, capitão Aleksander Toaldo Lacerda. “São poucas as ocorrências. A maioria são pessoas perdidas, especialmente crianças e idosos que nas aglomerações se perdem dos parentes.”
Para o capitão, a mudança de rotina em torno de um evento religioso não incentiva a prática de outros delitos. “O índice de criminalidade na cidade é zero. O município é tranqüilo. No período da festa aumenta a movimentação de veículos, mas as ruas principais ficam fechadas para o trânsito, o que dificulta os atropelamentos e choques entre veículos.”
Alguns visitantes, segundo o capitão, exageram um pouco no consumo de bebidas alcóolicas, mas não chegam a desencadear brigas, no máximo um bate-boca.