11 de julho de 2026
Internacional

Familiares enfrentam uma semana de muita especulação e desencontro


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São Paulo - Eram 22h33 de domingo, 31 de maio, quando o Airbus 330-200 da Air France, voo 447 (Rio-Paris), enviou pela última vez uma mensagem para o controle aéreo brasileiro. A 11 mil metros de altura, em velocidade de cruzeiro (840 km/h), a tripulação informava aos controladores que estava prestes a deixar o espaço aéreo brasileiro, a uma distância de 565 km de Natal. Trinta e sete minutos depois, às 23h10, o desastre começava a se desenhar.

A interrupção na comunicação (o avião já estava fora do alcance de radar brasileiro e ainda não havia alcançado a área de controle africano) acendeu o alarme da tragédia entre autoridades. No restante da semana, com poucos avanços na busca pelos destroços do avião no mar, o desaparecimento da aeronave continuava a ser a principal evidência do desastre, que causou a morte de 228 pessoas, entre eles 59 brasileiros.

No decorrer dos dias, algumas peças de um complexo quebra-cabeça começavam a formar um quadro inicial de como o desastre se desenrolou. Ainda na segunda-feira, 1 de junho, mensagens automáticas recebidas pela sede da Air France, em Paris, vindas do Airbus, indicavam que toda a tragédia se passou em 4 minutos. O primeiro sinal de um possível problema a bordo chegou às 23h10 (hora de Brasília) do domingo, 31, dando conta de que o piloto automático do Airbus estava desconectado.

As mensagens seguintes apontaram para uma sucessão de graves panes em alguns dos principais computadores do jato. O último alerta foi emitido às 23h14: “cabin vertical speed” (cabine em velocidade vertical, na tradução do inglês). A informação final, segundo investigadores militares, poderia ter duas leituras: queda livre ou uma brusca variação de pressão dentro da cabine, ocasionada por uma descida mais rápida do que o comum.

Nesse momento, contudo, o quadro era muito incipiente e nenhuma hipótese era ainda descartada pelo governo francês: atentado, explosão, incêndio, perda de sustentação, congelamento e panes elétricas diversas.

A partir daí, apenas especulações e pouco avanço marcaram a semana. E até ontem era impossível estabelecer o que poderia ter provocado a tragédia. Mesmo o mau tempo, citado durante toda a semana, é visto com cesticismo por algguns especialistas. Apenas apresenta-se como a hipótese mais forte nesta altura das investigações.

No fim da semana a tarefa mais urgente era de buscas pelos destroços do avião e corpos das vítimas. As pistas mais importantes para orientar as equipes de resgate foram dadas por outros pilotos que passavam pela região do acidente no momento do desastre ou pouco depois. Os pilotos falaram em cinco pontos de luz, nas cores laranja e vermelha, no Oceano Atlântico. Essas informações serviram de base para as buscas.

As entrevistas concedidas pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, acabaram motivando mais confusão do que esclarecimento. Jobim chegou a afirmar que a presença de manchas de óleo, identificadas por aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) afastaram por completo a hipótese de explosão no ar do Airbus A330. Depois, chegou-se à conclusão que as manchas localizadas ao norte de Fernando de Noronha não pertencem à aeronave francesa, assim como peças encontradas anteriormente.

Depois de tanta confusão, a busca pela caixa-preta, vista pelos especialistas como uma tarefa complicada e fundamental para apontar as causas da queda do voo, deve ser intensificada nesta semana, mas já ganhou ares de missão quase impossível.