09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Cultura é muito importante


| Tempo de leitura: 4 min

Lendo o artigo publicado pela sra. Carla de Oliveira, venho através dessa democrática coluna reforçar a sua tese. Cultura é muito importante. Ela cita pessoas como Nilceu Bernardo, que faz um excelente trabalho em Lençóis Paulista, Huxley Ivens, que vem começando seu trabalho em Iacanga. E da briga árdua que a ATB tem que ter para manter o projeto teatro aos domingos no Automóvel Club.

Gostaria agora de citar pessoas importantes que trabalham e trabalharam por Bauru. Como sr. Munir Zalaf, presidente da Academia Bauruense de Letras. Essa Academia fundada pela ilma sra. Celina Lourdes Alves Neves, a qual empresta seu nome ao nosso teatro. Mas como em Bauru nada funciona. Não existe um museu para contar a história da nossa digníssima Celina. Sra. Regina Ramos, que sempre batalhou pelo teatro bauruense. Sr. Carlos Eduardo Martins, que vem realizando seu trabalho com competência com seu último espetáculo o “Último Vagão”. Grupo Ato, com seu trabalho paralelo aos domingos. Marisa Basso, que leva o nome de nossa cidade para o mundo, através do teatro de bonecos. E muitos outros que poderia citar mas precisaria de páginas e páginas deste respeitado jornal. Esses são os verdadeiros heróis da cultura de nossa cidade.

O sr. prefeito Rodrigo Agostinho, que vem fazendo um ótimo mandato, tem que ficar atento ao sr. secretário de Cultura, Pedro Romualdo, esse que não vem respeitando nossos artistas locais, esse que não vem respeitando nossa cidade, esse que não vem contribuindo com nossa cultura... Sei que a Secretaria de Cultura não tem muitos recursos, mas aí vai onde ele pode começar a pesquisar como se fazer cultura. No governo Sbeghen, não existia secretaria, mas através de seu assessor de cultura, Paulo Neves, trazia para Bauru espetáculos como: Liberdade Liberdade, com Paulo Autran; Ballet Cisne Negro, no Vitória Régia, orquestras, shows de música, Irma Vap, sucesso na época, Regina Duarte, Marília Pêra... e muitos artistas renomados e espetáculos de respeito que não me lembro o nome. Muitos de graça ou a preços populares. Isso sem uma secretaria.

Posso citar muitas coisas do Paulo Neves, pois não o citei acima, ele que merecia muito mais respeito dessa cidade, do senhor prefeito e seus vereadores. Lembro do primeiro espetáculo que assisti na minha vida. Chamava-se "Achados e Perdidos", que assisti, se me lembro bem, na quadra do Christino Cabral, estava lotado, era a última sessão deles, que já haviam apresentado umas 10 vezes e sempre lotados. Para se ter uma idéia, era música ao vivo com Paulinho na bateria, George Vidal... e outros que não me lembro. Sem dúvida, um dos melhores espetáculos que vi na minha vida, poesias, coreografias, em cima de um andaime enorme. Essa pessoa me fez gostar de teatro e hoje acompanho todas as suas mostras de teatro que estão cada vez melhores.

Aproveito agora para finalizar que conheci o filho de Paulo Neves, Thiago Neves, na entrada de uma churrascaria de Bauru, onde tive a oportunidade de pará-lo e perguntar sobre seu pai e sua avó. Ele humildemente disse que seu pai estava na luta de sempre, não tão ativo politicamente como antigamente, mas brigava muito pelo teatro através do seu curso e seus alunos. Ele ainda me disse que estão reformando a antiga casa da ilma. sra. Celina Neves, para transformar em um centro cultural, onde deverá abrigar diversas atividades culturais e educacionais, e ainda atender um sonho de Paulo Neves em existir um espaço para outras companhias interessadas terem para ensaiar. Esse moço estava com brilhos nos olhos quando falava do pai e da avó... e pude perceber que esse vai brigar pela cultura como o pai e avó brigaram. E ainda pode contar com a grande ajuda do pai. Fico feliz com todos os artistas de nossa cidade, esses são heróis.

Fica uma sugestão para o nosso novo prefeito: poderia apostar no Thiago, que é novo e tem boas idéias. E em outro artista competente de nossa cidade. E ainda uma sugestão para o jornal fazer uma entrevista com o Thiago e o Paulo sobre o centro cultural deles. Termino essa matéria com uma frase que dona Celina sempre dizia: “Eduquem-se os meninos que não será preciso castigar os homens”.

João José Ramires da Silva – 68 anos, marceneiro aposentado, ex-aluno da Escola Progresso e Reco-Reco, atualmente reside em Belo Horizonte