O fascínio pela imensidão do céu atrai cada vez mais apreciadores, mesmo aqueles que não conseguem reconhecer os astros - que são todos os corpos celestes vistos como pontos de luz. Olhar para o céu virou um show, do porte de um grande concerto de rock, com direito até a popstar. A diferença é que os espectadores estão espalhados por todo o Planeta. O fã-clube cresce, formando uma legião de admiradores, armados com poderosos telescópios, outros com equipamentos não tão potentes, binóculos e simplesmente os olhos.
O físico-astrônomo Daniel Rutkowski Soler, que esteve em Bauru, no mês passado, e ministrou curso no Serviço Social do Comércio (Sesc), como atividades do Ano Internacional de Astronomia, garante que a cidade é uma excelente localidade para observação do céu. Ele explica que, a olho nu, além da Lua e cerca de 4,5 mil estrelas, podem ser vistos cinco planetas, alguns cometas e meteoros. Quem costuma observar o céu pode se deparar com satélites artificiais, como de comunicação, e até mesmo o Telescópio Espacial Hubble e a Estação Espacial Internacional.
Soler acrescenta que, com telescópios, é possível ver aglomerados de estrelas, nebulosas e galáxias. Apesar de todo o conhecimento já acumulado, cada nova grande descoberta é meramente “um tijolinho”, se comparado com o espaço sideral. O que já se sabe não é pouco e contou com a genialidade de nomes célebres, como o italiano Galileu Galilei, a perspicácia do astrônomo dinamarquês Tycho Brahe, que possibilitou a outra fera da astronomia, o alemão Johannes Keppler, desenvolver as três leis do movimento dos planetas.
Se está tudo no céu, bastaria simplesmente olhar. Porém, caçar algo no meio desse congestionamento exige conhecimento. Soler recomenda que é preciso saber o que observar. Suponha que exista um mecanismo de busca, do tipo que se encontra na Internet, quando se pretende localizar o ponto exato de uma rua. O físico-astrônomo dá a dica. A ferramenta para se mapear o céu está disponível no site www.heavens-above.com, que dá acesso a um dispositivo de busca a partir da informação do nome do município. O site informa quais satélites artificiais são visíveis na localidade especificada naquela noite e, inclusive, o melhor horário.
A observação do céu pode ficar ainda mais interessante com outra sugestão de Soler. O programa Stellarium, no site www.stellarium.org, é uma espécie de “mapa” do céu disponível na rede mundial de computadores e que pode ser baixado gratuitamente. Soler destaca que o programa simula as condições do céu em qualquer horário, data e local do planeta. Com ele, fica muito fácil saber se existe algum planeta no céu, que constelações estão visíveis, se é ou não época de chuva de meteoros, entre outras informações.
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Olhos no céu de Bauru
No mês passado, no Sesc de Bauru, Marcos Calil coordenou turmas de observação do céu com telescópio e ofereceu o curso de construção de telescópios. Daniel Rutkowski Soler também coordenou observação do céu com telescópio e ministrou um curso de astronomia no dia-a-dia. As atividades integraram o programa “100 Horas de Astronomia”, promovido por todos os países envolvidos com o projeto do Ano Internacional da Astronomia.
A data é comemorada neste ano porque, há 400 anos, o cientista italiano Galileu Galilei apontou um telescópio e identificou as luas de Júpiter, as fases de Vênus, as estrelas na Via Láctea, as manchas solares e até mesmo os anéis de Saturno. “Apesar desses só virem a ser entendidos como anéis, de fato, pouco mais de 40 anos depois. Tais descobertas iniciaram uma verdadeira revolução na compreensão que o ser humano tinha do universo, e da sua própria relação com ele”, acrescenta Soler.
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Espiar o desconhecido vem das cavernas
O físico-astrônomo Daniel Rutkowski Soler sugere que a história da observação do céu se confunde com a própria história do homem. O costume de espiar o céu remete à época do homem das cavernas. Ele ressalta que povos antigos, espalhados por todo o planeta, faziam regularmente observações do céu e identificavam figuras associadas às suas próprias culturas.
“Certamente a antiga cultura greco-romana foi a que preponderou sobre as demais do mundo até os dias atuais. Só que praticamente todos os povos que já pisaram na Terra tinham o costume de olhar regularmente para o céu”, avalia. Soler é um multiplicador desse vício saudável: não há contra-indicações.
Ele integra a equipe dos complexos Planetários de São Paulo - Planetário do Parque do Ibirapuera, a Escola Municipal de Astrofísica e o Planetário do Parque do Carmo. Sábados, domingos e feriados, ocorrem sessões de planetário a um custo baixo. A Escola Municipal de Astrofísica proporciona cursos semanais, com duração semestral, e cursos diários nos períodos de férias - julho e janeiro.