Santa Cruz do Rio Pardo - O 1º Distrito Policial (DP) de Santa Cruz do Rio Pardo (90 quilômetros de Bauru) investiga um golpe aplicado na cidade que deu prejuízos financeiros a cerca de 100 clientes da Nossa Caixa/Nosso Banco. As primeiras ocorrências foram registradas na quinta-feira. Até as 18h de sexta-feira, a Polícia Civil recebeu 60 reclamações. Ontem, o plantão da Delegacia registrou mais de 30 Boletins de Ocorrência (BOs) envolvendo possíveis vítimas do golpe.
De acordo com o delegado do 1º DP do município, Renato Caldeira Mardegan, responsável pela investigação, clientes da agência bancária Nossa Caixa localizada na avenida Tiradentes, no centro da cidade, procuraram a polícia para informar a ocorrência de movimentações indevidas em suas contas bancárias. As transações, que envolvem transferências, saques bancários e empréstimos financeiros, teriam sido feitas nos dias 4 e 5 de junho. “A maioria das pessoas não tem o costume de, uma vez por semana, tirar um extrato, porque o banco cobra (pelo serviço). Então, eles só vão ver o extrato na semana do pagamento, que é no 5º dia útil”, afirma. Foi quando perceberam as transferências indevidas.
O delegado estima que o golpe deu prejuízos de R$ 100 mil para a instituição bancária que atende, em sua maioria, funcionários públicos estaduais.
Ele aguarda informações do banco para saber se o golpe foi aplicado por um artefato chamado “chupa-cabra” que coleta os dados. A polícia também pretende fazer o rastreamento para verificar para onde foram feitas as transferências bancárias.
O delegado adiantou que há indícios de que o dinheiro é sacado em São Paulo num provável esquema de clonagem de cartão.
Segundo Mardegan, nem todas as pessoas que entraram em contato com a Polícia Civil foram vítimas de prejuízos financeiros em sua conta-corrente. “Algumas contas não tiveram prejuízo, pelo contrário, tiveram benefícios, porque elas só foram usadas para pulverizar o dinheiro para dificultar a investigação”, diz. “Nós tivemos um caso em que a pessoa estava com a conta negativada e o limite estourado, mesmo assim foi depositado dinheiro na conta. Deixaram cerca de R$ 100 na conta, reativaram a conta e ainda deixaram um limite. Ela teve que registrar (a ocorrência) porque o dinheiro que ficou de crédito não é dela”.
O delegado revela que os trabalhos de investigação coordenados pela Polícia Civil de Santa Cruz do Rio Pardo deverão contar com o auxílio da delegacia especializada de roubo a bancos do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic) da capital. “Vamos ver se eles (policiais do Deic) nos auxiliam para que a gente chegue à autoria dos golpes”.
O delegado explica ainda que as vítimas do golpe serão ressarcidas pela instituição bancária, após a comprovação das movimentações financeiras indevidas. Por isso é necessário fazer o registro em boletim de ocorrência e é necessário confirmar que os donos das contas não fizeram as transferências, empréstimos e nem saques indevidos. “Na verdade, quem está sendo vítima de tudo isso é o banco. A instituição vai ter que ressarcir as pessoas, porque quando a gente entrega o dinheiro para que uma instituição financeira tome conta e administre, ela é responsável”.
Após o registro das ocorrências, os cartões bancários das vítimas foram bloqueados para evitar novas transações financeiras por parte de terceiros. A reportagem não conseguiu ontem contato com a assessoria de imprensa da Nossa Caixa/Nosso Banco para saber das providências tomadas contra os golpes financeiros.