09 de julho de 2026
Nacional

Investidores esperam dados do PIB e juros

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Se nas últimas semanas os indicadores sobre a economia dos EUA e da Europa eram os que monopolizavam as atenções dos investidores, nesta são dados que dizem respeito ao Brasil os mais esperados.

Amanhã, sai a variação do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre deste ano. No último de 2008, foi registrada uma retração de 1,3% ante o mesmo período de 2007 e de 3,6% na comparação com o trimestre anterior.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já admitiu que a economia do País pode ter encolhido nos três primeiros meses de 2009, o que significaria uma recessão, a qual é caracterizada por dois trimestres seguidos de queda do PIB, segundo a definição tradicional.

Os analistas de mercado estimam que a baixa da economia no primeiro trimestre de 2009 tenha sido de até 2% ante o quarto do ano passado e de até 2,8% na comparação com o primeiro de 2008.

Na quarta-feira, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informa a medição do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para maio. Em abril, a inflação havia ficado em 0,48% e os economistas esperam que tenha recuado ligeiramente, para 0,45%, no mês passado.

O comportamento dos preços deve avalizar uma nova redução da taxa básica de juros da economia, a Selic, pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central). Em queda desde janeiro, a taxa se encontra atualmente em 10,25% ao ano.

O feriado de Corpus Christi na quinta-feira encurta a semana do mercado financeiro - o número e o volume de negócios devem ficar bem abaixo da média de um dia normal na sexta, que concentra os indicadores econômicos internacionais de destaque no período.

Redução da Selic

Travando mais uma vez uma guerra de bastidores com o Banco Central, o Ministério da Fazenda espera que o Copom (Comitê de Política Monetária) reduza a taxa básica de juros (Selic) em 0,75 ponto percentual na quarta-feira.

Se dependesse da vontade da equipe do ministro Guido Mantega (Fazenda), o corte seria maior, de um ponto. Na avaliação de assessores de Mantega, há espaço para essa queda maior da chamada Selic diante da redução no ritmo da economia e da valorização do real.

Nas últimas semanas, BC e Fazenda têm trocado farpas por conta da desvalorização do dólar. Preocupada com os efeitos negativos do dólar barato sobre as exportações, a equipe de Mantega avalia que o BC precisa agir para diminuir o diferencial entre as taxas de juros aqui e no exterior, contribuindo para reduzir a entrada de capital estrangeiro. Do outro lado, o presidente do BC, Henrique Meirelles, tem insistido no discurso de que a política monetária não pode ser cambiante. Seu principal objetivo, segundo ele, é conter a inflação e não definir a taxa de câmbio.

A Fazenda avalia, porém, que as pressões sobre o BC terão pelo menos um efeito parcial. Para um assessor de Mantega, não fosse isso, o Copom optaria por uma redução de 0,50 ponto percentual na taxa Selic. A equipe de Meirelles tem emitido sinais de que a economia já dá sinais de recuperação que podem recomendar maior prudência na política monetária. Um dos dados levantados nessa discussão é o comportamento dos preços das commodities. O aumento dos preços neste ano seria sinal de que os alimentos podem voltar a subir. O argumento contrário é que a valorização do real anula qualquer pressão inflacionária, já que barateia as importações.