Beatriz Schuler, 55 anos, uma das fundadoras do Instituto Vidadigna, é exemplo de amor e dedicação aos animais. Há mais de oito anos, ela dedica 24 horas do dia, de domingo a domingo, para cuidar dos cães e gatos abandonados de Bauru. Atualmente, sua casa, no Núcleo Geisel, funciona como um abrigo dos bichos e acolhe 130 animais, a maioria gatos.
“Desde que me entendo por gente, sempre cuidei e gostei muito de animais. Mas resolvi me dedicar a eles por força das circunstâncias”, afirma.
“Quando cheguei a Bauru, diariamente me deparava com problemas relacionados a animais abandonados. Lastimava não haver uma estrutura que pudesse dar apoio a eles”, acrescenta Beatriz.
Após adquirir a casa própria, estabilidade financeira e os filhos tornaram-se independentes, ela resolveu se dedicar aos as animais.
“Em pouco tempo me vi totalmente envolvida. Me tornei conhecida pelas pessoas e, devido ao grande número de animais abandonados e nenhum serviço público de apoio, acabo sendo procurada pela população”, conta.
Infra-estrura
Mesmo sem nenhum preparo ou infra-estrutura adequada, Beatriz não conseguiu “fechar os olhos” para o problema. “Quando via que ninguém ia assumir o compromisso com os animais, não consegui ficar sem fazer nada”, explica.
Ela começou a cuidar dos animais sozinhas e hoje conta com uma pequena equipe que colabora financeiramente, na divulgação do trabalho e no acompanhamento das adoções de animais, no transporte e em outras atividades diárias do instituto.
“São voluntários, amigos, que, como eu, entendem que os animais precisam de cuidados e carinho”, revela Beatriz.
Hoje, todas as atividades do dia-a-dia de Beatriz são voltadas para o trabalho com os animais. “Fico 24 horas por dia, de domingo a domingo, cuidando dos nossos animais e dos assuntos do instituto”, afirma.
Para isso, realiza trabalho social e educacional direcionado não apenas aos cachorros e gatos, mas também à população. Segundo Beatriz, a conscientização é a única forma de mudar a realidade e este é o maior objetivo do Instituto Vidadigna.
“A conscientização precisa ser trabalhada na sociedade como um todo. Cerca de 90% dos problemas que ajudamos a resolver envolvem diariamente a saúde e o bem-estar humano”, conta.
“As autoridades precisam enxergar que a superpopulação de animais é um problema criado por toda a sociedade e tem influência direta na área da saúde pública”, complementa.
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Instituto Vidadigna pede colaborações
Dois mil reais por mês. Esse é o valor médio gasto pelo Instituto Vidadigna para cuidar de 130 animais, entre gatos e cachorros, recolhidos nas vias de Bauru. Criada há oito anos, a organização não-governamental (ONG) faz um apelo à população e à administração pública: precisa de ajuda para dar continuidade às atividades e não tem condições de receber novos bichinhos.
Os animais “moram” em instalações improvisadas na casa de Beatriz Schuler, uma das fundadoras do instituto. “Não há nenhuma estrutura própria para isso. Venho tentando melhorar as instalações para eles, mais tudo ainda é muito precário já que os gastos com ração, vermífugos, vacinas, exames de laboratório, cirurgias e serviços veterinários e demais despesas são prioritários”, explica.
Segundo Beatriz, este valor é destinado aos cuidados com os mais de 100 animais que ficam em sua casa e também com cachorros e gatos de rua e de famílias carentes. “Gastamos muito com castrações de animais de rua e de pessoas carentes que cuidam bem de seus bichos, mas não podem pagar pela castração. Então, pagamos o veterinário e elas nos retornam como podem”, explica. “Mas, infelizmente, esse tipo de apoio ainda é bastante limitado em relação ao número de animais de rua que precisam ser castrados. No nosso entender, esse serviço deveria ser feito pela prefeitura”, acrescenta.
Segundo Beatriz, a única solução para reduzir o número de animais abandonados é diminuir a procriação. “Nosso objetivo não é recolher animais, pois um abrigo não é o melhor lugar para eles. Devido ao descaso da população e do município com relação a este assunto, o abandono e a natalidade descontrolada fazem com que o problema aumente a cada dia”, afirma.
Para conseguir dinheiro e dar continuidade ao trabalho do instituto, os voluntários do Vidadigna realizam “Bazar da Pechincha”, idealizado por meio de doação de roupas e utensílios. Além disso, fazem rifas, vendem camisetas e outros produtos desenvolvidos pela ONG.
Há também doação de dinheiro por parte “padrinhos” e “madrinhas” que deixaram animais no instituto e por voluntários que colaboram mensalmente com alguma quantia. “Sem o compromisso dessas pessoas, às quais somos eternamente gratos, seria impossível continuar nosso trabalho”, afirma Beatriz.
Por isso, ela pede para que as pessoas que encontrarem animais abandonados para que os encaminhem ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Quem quiser colaborar e ter mais informações sobre o Instituto Vidadigna pode entrar em contato com Beatriz pelo e-mail beatrizfauna@hotmail. com. Além disso, a ONG precisa de doação de rações e vermífugos. Já quem preferir ajudar com doação em dinheiro, a conta do instituto é no banco Nossa Caixa, agência 0033-7, conta corrente 04.003.021-8. O instituto também doa animais.