08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Vôo 447


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Na retaguarda das notícias sobre o vôo 447, há um silêncio que persevera. Um vazio instalado. Vazio de catástrofe, de causas e de imagens. Vejo parentes cobertos de dor, vejo navios equipados, vejo militares com binóculos a perscrutar o horizonte. A TV tenta recompor o drama mostrando mapas, traçados gráficos e aviões semelhantes fazendo decolagens, mas não mostra evidências. Menciona uma cadeira flutuando, um objeto colorido ou uma parte metálica de alguns metros. Mas o que são metros no oceano? Apego-me a essas coisas para tentar alcançar alguma compreensão do que foi esse desastre. Mas a verdade é que não há sangue, não há culpados e não há traços humanos comoventes. Só há o céu e o mar. Na incansável busca por sinais, encontro apenas os sinais da insuficiência humana.Como prantear os mortos? Como fazer cerimônias para que os aceitemos como parte de nossas memórias se só há o céu, o mar e a dor dos que a sentem?

Plinio Lopes Junior - contador