Os trabalhadores do transporte coletivo de Bauru decidiram, mais uma vez, pela greve. A assembléia da categoria, que começou na noite de segunda-feira, foi encerrada na manhã de ontem. No início da tarde, a totalização dos votos mostrou que a maioria não aceitou a proposta do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15.ª Região, sediado em Campinas. A expectativa é que no meio da tarde de hoje, os trabalhadores já cruzem os braços.
Hoje, último dia útil antes do Dia dos Namorados, o comércio do Centro ficará aberto até as 22h. Os ônibus circulares correspondem ao único meio de transporte público municipal. Caso a greve tenha início nesta tarde, o impacto pode ser grande, já que mesmo à noite, muita gente vai voltar tarde para casa, por conta das compras.
De acordo com o informado pelo Sindicato dos Trabalhadores de Transporte de Bauru e Região (Sindtran), dos 585 trabalhadores que participaram da assembléia, 422 votaram pela greve. Hoje, em Campinas, haverá mais uma audiência de conciliação no TRT, entre representantes do sindicato e da Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) - que reúne as três concessionárias do setor na cidade. A paralisação deve ter início assim que o encontro for concluído.
Na semana passada, durante a primeira audiência em Campinas, o desembargador Luís Carlos Cândido Martins Sotero da Silva, presidente do Tribunal apresentou sugestão de aumento salarial em 7%, tíquete-refeição no valor de R$ 190, participação nos lucros e resultados no montante de R$ 450, a serem pagos em duas parcelas iguais, e horas extras remuneradas com o adicional de 50% nos dias normais, 100% nos feriados e 110% nos dias de folga.
As empresas aceitaram as sugestões do desembargador. O Sindtran colocou a proposta em votação e ela foi rejeitada. Hoje, no TRT, o Sindtran avisa que a paralisação só não acontece se a Transurb aceitar integralmente a demanda da categoria, que é reajuste de 16%, R$ 600,00 de participação nos resultados (que atualmente é de R$ 120,00) e R$ 300,00 de tíquete-refeição.
A expetativa é que com a recusa da proposta sugerida pelo TRT, os sindicalistas já saiam da audiência com a greve deflagrada. O desembargador deve, então, determinar um limite mínimo de coletivos para atender a população. Por se tratar de serviço essencial, o previsto em lei, é manter 30% da frota circulando.
Na semana passada, uma primeira tentativa de conciliação entre Sindtran e Transurb no Ministério Público do Trabalho também acabou em rejeição da proposta por parte dos trabalhadores. Mas no encontro foi estipulado que em caso de paralisação, 50% dos ônibus estariam circulando nos horários de pico.
A paralisação deve durar até o julgamento do dissídio coletivo instaurado no TRT – que deve ser em duas semanas.
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‘População não pode ficar sem ônibus’
O prefeito Rodrigo Agostinho destaca que qualquer alteração nos valores pagos aos motoristas, cobradores, funcionários administrativos e vendedores que atuam no sistema de transporte público em Bauru terá impacto no valor da tarifa. “Cada mudança reflete nesse preço”, avalia. “O direito à greve é uma garantia constitucional. Por outro lado, o transporte público é um serviço essencial. E temos que garantir que a população não fique sem os ônibus”, observa.
Agostinho avalia que, caso os usuários sejam prejudicados com a paralisação, a prefeitura pode interferir . “Se for o caso, estaremos preparados para uma medida judicial. Até porque a população não pode ser prejudicada”, avalia. O presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Rubens Ribeiro Barros Filhos, o Rubito, lamentou a atitude dos motoristas. “Vemos com preocupação essa decisão. O usuário merece mais respeito. O transporte público é um serviço essencial e não queremos que essa greve seja deflagrada.Queremos que o bom senso prevaleça”, afirma.
Se por acaso o Sindtran e a Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) não chegaram a um acordo durante reunião de conciliação nesta tarde no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e a paralisação começar, Rubito destaca que funcionários da empresa municipal já estão orientados sobre como proceder.
“A Emdurb já está em estado de alerta. Amanhã (hoje), caso não prevaleça o bom senso e a greve comece, fiscais irão verificar se o número mínimo de ônibus circulando está sendo cumprido”, afirma o dirigente.
Além das reivindicações salariais, o Sindtran solicitou à prefeitura a substituição da jornada atual de 7h20 para três turnos de 6h cada um. Também pediu a volta dos cobradores demitidos nos últimos meses.
Porém, Rubito avaliou que o atendimento a qualquer uma dessas demandas resultaria em impacto grande ao valor da tarifa. “Com a relação à sugestão salarial apresentada, até onde a Emdurb acompanhou, é uma proposta decente e não justificaria uma greve”, pondera.
Caso seja mantida a sugestão do TRT, o valor final da tarifa subiria de R$ 1,85, para quem compra antecipado, para R$ 2,03. Caso as outras propostas sejam acatadas, esse preço subiria até para R$ 2,60. Todas as alterações têm impacto na planilha geradora do custo das passagens. “Nossa posição é de mediador. Tomamos posição de cautela, assim como o TRT. Entendemos que não é possível o povo pagar por essas alterações”, afirma Rubito.
O prefeito Rodrigo Agostinho ressalta que ainda não há previsão para reajuste da tarifa. “É preciso aguardar que esse processo de negociação seja concluído para que possamos fazer os cálculos”, afirma.
“O que queremos é que os trabalhadores consigam um bom aumento, mas sem tornar a tarifa inviável para o usuário”, diz. “Cabe à Emdurb ser ponderada e não deixar o preço da passagem prejudicar a população financeiramente”, avalia. “Nossa posição é sempre lutar pela menor tarifa, para que a maioria da população não pague a conta”, afirma.