09 de julho de 2026
Polícia

Fogo destrói provas da Vara Criminal

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 5 min

Um incêndio destruiu ontem provas de processos criminais guardadas em um depósito da Justiça em Bauru, na avenida Cruzeiro do Sul. O alarme antifurto do galpão disparou por volta das 15h30. Um funcionário foi averiguar e viu a fumaça saindo pelas frestas do teto. Não houve feridos.

O depósito fica em frente do prédio onde estão instaladas as duas Varas de Execuções Criminais e duas Varas da Fazenda Pública. O incêndio destruiu totalmente o barracão, que fica ao lado do arquivo geral, onde estão os processos de papel e a antiga biblioteca do Judiciário bauruense. No edifício, localizado na parte da frente do terreno, fica outro depósito.

O incêndio começou, provavelmente, pouco antes das 15h30 e foi controlado cerca de 30 minutos depois. O capitão do Corpo de Bombeiros Rogério Gago esclarece que, quando a corporação chegou ao local, as chamas já tomavam conta do prédio e a cobertura metálica estava destruída.

Aproximadamente 45 mil litros de água foram necessários para apagar o fogo. Além dos tanques do caminhões do Corpo de Bombeiros, foram utilizados 22 mil litros de água fornecidos por três caminhões-pipas do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru e um caminhão-pipa de uma empresa particular com capacidade para 12 mil litros.

A queima do material inflamável produziu muita fumaça preta, que podia ser vista de longe.

A Polícia Rodoviária interditou o acesso da rodovia Marechal Rondon (SP-300) à avenida Cruzeiro do Sul. O trânsito no sentido Cruzeiro do Sul-rodovia foi interrompido pelo Policiamento de Trânsito na esquina com a rua Goiás. As vias só foram liberadas após as 16h45. O helicóptero Águia da Polícia Militar ficou de prontidão para ajudar na ação de combate ao incêndio, mas não foi necessária a sua intervenção.

Causas e segurança

O capitão do Corpo de Bombeiros Rogério Gago disse que só a perícia poderá apontar com precisão a causa do incêndio. No entanto, Gago não descartou que as chamas podem ter sido provocadas por uma faísca ou algum problema na parte elétrica do prédio ou ainda um material incandescente.

O comandante da 1.ª Cia da Polícia Militar, capitão Renato Ramos, reforça que só o laudo da perícia técnica poderá apontar o que aconteceu. Ele não descartou nenhuma das hipóteses para o fogo. “Não dá para falar que foi criminoso. Depende da perícia”, ressalta. Conforme Ramos, o laudo da Polícia Técnica deverá ser divulgado em, aproximadamente, 30 dias.

O juiz-diretor do Fórum de Bauru, Horácio Furquim Guanaes, destaca que tudo que foi destruído já estava descrito nos processos criminais. “Não existe qualquer prejuízo para o andamento dos processos”, comenta.

Guanaes disse que o prédio contava com a segurança de dois vigias cedidos pela Prefeitura de Bauru. Os três barracões ficam em um ponto de fácil acesso, próximo à rodovia Marechal Rondon, localização que pode facilitar uma ação criminosa de invasão dos prédios. “Em razão do grande número de objetos apreendidos, o Judiciário não tem local apropriado para isso (depósito)”, frisa Guanaes.

O barracão destruído teve sua estrutura inteiramente comprometida pelo fogo. O prédio era cedido pela Prefeitura de Bauru ao Tribunal de Justiça. O telhado de metal foi completamente destruído.

No interior, o galpão abrigava material apreendido pela polícia e que fazia parte de processos criminais. De acordo com o encarregado pelos edifícios, Edson Água Nova, havia cerca de 300 mil CDs pirateados, DVDs, máquinas de videobingos, CPUs, monitores, celulares, rojões, bombas e produtos de furto e de roubo, como peças de moto e carro e toca-fitas.

Guanaes esclarece que as senteças judiciais - final dos processos - é que definiriam qual o destino dos materiais apreendidos, que poderiam ser devolvidos aos proprietários ou inutilizados - incinerados.

Inflamável

A Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros montaram um cordão de isolamento em torno do barracão incendiado devido ao risco de explosões. No galpão, havia cilindros de acetileno, botijões de gás (GLP) e aerosóis, como sprays.

O capitão do Corpo de Bombeiros Rogério Gago explica que esses materiais potencializaram o incêndio. Ele frisa que os cilindros de acetileno são altamente explosivos e o produto, inflamável. O trabalho de resfriamento evitou que os cilindros com o produto explodissem.

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Alarme antifurto disparou na hora

O acionamento do alarme antifurto do barracão da Justiça incendiado foi o que chamou atenção do responsável pelos três prédios, Edson Água Nova. Ele conta que, ao chegar próximo do depósito, já viu a fumaça saindo pelas frestas do forro. Teve tempo de retirar os cachorros de um cômodo próximo e acionar o Corpo de Bombeiros. Ele comenta que não viu ninguém e nada de estranho na área onde ficam os três edifícios. “Dei uma volta ao redor e não tinha nada, aparentemente”, explica.

Nova não soube dizer com precisão o que poderia ter disparado o alarme, instalado no depósito há cerca de quatro meses. O dispositivo é de monitoramento, acionado pelo movimento no ambiente.

Para o do Corpo de Bombeiros Rogério Gago, o acionamento do alarme anti-roubo pode estar relacionado à presença de alguém na edificação.

Nova detalha que, antes de perceber o incêndio, já ouvia o som do alarme. Porém, imaginou se tratar de um alarme de automóvel estacionado na área ao lado do prédio em que estava. O depósito destruído pelo fogo fica nos fundos do terreno. O responsável pelos prédios trabalha no edifício na entrada do imóvel.

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Família com 10 cães é retirada a salvo

Uma família de cães correu risco durante o incêndio no depósito da Justiça. Oito filhotes, com 40 dias de vida, uma cadela mestiça - labrador com pit bull - e um cão pastor alemão foram rapidamente retirados de uma cozinha desativada. O cômodo ficava atrás do barracão destruído. Os animais não se machucaram.

O cães adultos ajudam na vigilância dos três edifícios durante a noite, junto com os vigilantes da Prefeitura de Bauru.

Edson Água Nova comenta que a cadela amamentava os filhotes na cozinha desativada. Ao perceber o incêndio, correu para retirar os animais. Os oito filhotes foram colocados no prédio da frente do terreno. Já os adultos foram alojados no prédio em frente, onde funcionam as Varas de Execuções Criminais e da Fazenda. Nova comenta que eram nove filhotes mas um já havia sido retirado anteontem. Os outros oito cachorrinhos também já têm lar definitivo.