Uma mulher, moradora de Bauru, está internada no Hospital Estadual (HE) Arnaldo Prado Curvêllo com infecção pelo vírus influenza A H1N1, a gripe suína. Proveniente dos Estados Unidos no sábado passado, ela apresentou os sintomas no domingo e no mesmo dia foi internada. Ontem, a Secretaria Municipal de Saúde recebeu do Instituto Adolfo Lutz a confirmação da doença após a realização de exame específico. O Brasil soma 40 pessoas infectadas pela gripe suína, das quais 17 são do Estado de São Paulo e três de Bauru.
No final do mês passado, uma adolescente bauruense de 16 anos foi internada no HE com a doença assim que chegou dos Estados Unidos, onde passou uma temporada em intercâmbio. Dias depois, seu irmão, um menino de 13 anos, também foi internado com a doença - ele foi o primeiro caso autóctone (contraiu a doença na própria localidade) do Estado de São Paulo. Ambos foram medicados e liberados na semana passada, após o fim do período de contágio.
Na ocasião em que o garoto foi internado, a preocupação era que outras pessoas, principalmente alunos da escola em que ele estuda, pudessem ter contraído a doença. No dia da divulgação do caso, as aulas chegaram a ser suspensas porque os alunos, assustados com a notícia e a distribuição de máscaras, acionaram os pais e acabaram indo embora.
Assim como nos dois primeiros casos da gripe suína, a Secretaria Municipal de Saúde informou que já tomou as medidas preventivas quanto à transmissão desta nova infectada. A família dela está em quarentena domiciliar, sendo monitorada por funcionários da saúde, que periodicamente verificam se estão ou não apresentando os sintomas da doença.
Também estão sendo monitorados outros familiares, vizinhos e pessoas com quem a paciente teve contato entre o período que chegou dos Estados Unidos e foi internada. O secretário de Saúde, Fernando Monti, ressaltou que, durante a quarentena, os familiares da paciente com gripe suína têm de ficar em casa, sem contato com terceiros. “Mas esta paciente teve pouquíssimos contatos prolongados, em que poderia transmitir a doença”, frisa.
Entre as recomendações básicas para evitar o contágio da doença, o secretário municipal de Saúde destaca o uso de lenços descartáveis e a lavagem freqüente das mãos. Ele frisa que máscaras devem ser usadas somente por pessoas que apresentam os sintomas da doença e pelos profissionais envolvidos no seu atendimento e na inspeção dos meios de transporte nos quais eles se encontravam.
A nova paciente deverá permanecer internada no HE até que se expire o prazo de transmissão como medida de bloqueio, que é estimado de 7 a 10 dias.
Ela está internada em área de isolamento do HE, em quarto de pressão negativa, onde o ar contaminado com o vírus - a doença é transmitida por via aérea - não sai do ambiente nas aberturas de porta. O tratamento está sendo feito com antivirais específicos para a doença.
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No Brasil, contaminados chegam a 40
Mais dois casos de infecção pelo vírus influenza A H1N1, a gripe suína, foram registrados ontem no Brasil, informou o Ministério da Saúde. Com isso, sobem para 40 os casos confirmados no País. De acordo com o Ministério da Saúde, os novos casos foram confirmados em Santa Catarina e no Distrito Federal. Os pacientes foram infectados durante viagem ao Exterior, estão em isolamento domiciliar e passam bem.
Com os novos registros, Santa Catarina tem seis casos confirmados e o Distrito Federal, um. Também há pacientes em São Paulo (17), Rio de Janeiro (9), Tocantins (3), Mato Grosso (2), Minas Gerais (1) e Rio Grande do Sul (1).
Nove dos casos foram contraídos dentro do País (autóctones).
O ministério acompanha outros 49 casos suspeitos - em 13 Estados e no Distrito Federal.
Uma jovem de 20 anos de origem brasileira, residente nos Estados Unidos, morreu vítima da gripe suína no último dia 30 de maio, em Chicago (Illinois). Caitlin Anne Treat Huber nasceu em Fortaleza (CE), mas morava nos Estados Unidos desde os três meses de vida, quando foi adotada por um casal norte-americano.
Ela foi internada no dia 23 do mês passado, com sintomas de uma forte pneumonia. Grávida de seis meses e debilitada, ela foi submetida a uma cesariana no dia 29. Em coma, ela morreu no dia seguinte.
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Secretário Municipal de Saúde alerta para aumento de doentes
Apesar de haver quem ache que o risco da proliferação - e até de uma pandemia - por infecção pelo vírus influenza A H1N1, a gripe suína, já passou, o secretário de Saúde de Bauru, o médico infectologista Fernando Monti, alerta que a tendência é de aumento de casos no Brasil. A doença, explica, continua se expandido no mundo e no Brasil. Portanto, a orientação para quem chega de viagem de países com casos autóctones é ficar atento aos sintomas da doença.
Caso a pessoa apresente febre alta - acima de 37,5 graus, tosse ou dor de garganta (o último sintoma não entrava na classificação anterior), acompanhadas ou não de dor de cabeça, nos músculos e nas articulações e dificuldades respiratórias, deve procurar um médico urgentemente. “A tendência é surgirem novos casos porque a doença está se espalhando pelo mundo”, frisa, ressaltando que os órgãos de saúde do Brasil têm trabalhado para evitar a transmissão autóctone. Ou seja, que uma pessoa que contraiu a doença no Exterior passe a transmiti-la quanto retornar ao Brasil.
“A sorte é que o período de transmissão da doença e de sintomas clínicos são praticamente coincidentes. Sendo assim, a doença pode ser diagnosticada no início do período de transmissão”, comenta. Ao contrário, um único doente poderia infectar outras 500, 1.000 pessoas. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), há 25 países com casos autóctones de transmissão do vírus: Alemanha, Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Dinamarca, Equador, Eslováquia, Espanha, EUA, Estônia, França, Guatemala, Irlanda, Itália, Japão, México, Panamá, Peru, Reino Unido e Romênia. Porém, segundo a OMS, Estados Unidos, México, Canadá e Austrália são os únicos países considerados com transmissão sustentada. Até agora, 70 países têm casos confirmados da doença.
A doença
A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum: febre superior a 38 graus, tosse, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.
Para diagnosticar a infecção, uma amostra respiratória precisa ser coletada nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, quando o doente espalha vírus, e examinadas em laboratório. Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes contra o vírus H1N1.
O Ministério da Saúde tem estoque suficiente para tratamento de casos de influenza A. Para uso imediato, há 6.250 tratamentos adultos e 6.250 pediátricos, que são enviados aos Estados de acordo com a necessidade.
O governo possui, acondicionada em tonéis, matéria-prima para 9 milhões de tratamentos. O medicamento bruto está pronto para ser transformado em cápsulas. O início do processamento será indicado pelo Ministério da Saúde, conforme a necessidade.