09 de julho de 2026
Regional

Queimada perto de linhões é a que mais provoca os ‘apagões’

Por Da Redação | Com Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

O clima seco e as queimadas que costumam ocorrer nesta época do ano — devido à colheita da safra da cana-de-açúcar — trazem uma preocupação adicional para as empresas concessionárias de energia elétrica. Elas temem que o fogo sob as linhas de transmissão (“linhões”) provoque interrupções no fornecimento de eletricidade.

De acordo com dados divulgados pela CPFL Paulista, somente na região Noroeste do Estado foram registrados no ano passado 122 interrupções de eletricidade provocadas por queimadas sob as linhas de alta tensão. Nessa região, estão localizadas algumas das cidades mais importantes do interior paulista como Bauru, Araçatuba e São José do Rio Preto, entre outras.

A CPFL Paulista esclarece que o calor do fogo, mesmo quando não atinge diretamente os cabos elétricos, pode provocar curtos-circuitos, interrompendo o abastecimento às vezes de cidades inteiras. O calor dos incêndios também pode criar um campo ionizado, propiciando o fechamento de arcos voltaicos que desligam as linhas elétricas.

Ao contrário do que se pode pensar, não somente o fogo prejudica o funcionamento das linhas de distribuição e transmissão de energia. “A fuligem e a palha da cana-de-açúcar, espalhadas pelo vento, também podem causar transtornos já que esses elementos aquecem o ar, tornando-o mais condutor e aumentando as chances de um curto-circuito na rede”, diz Francisco Carlos Martins, gerente da CPFL Paulista para a região de Bauru.

Outra preocupação em relação às queimadas refere-se à fumaça. Afinal, o excesso dela no meio ambiente causa um superaquecimento dos cabos, diminuindo a resistência e facilitando o rompimento. “Até mesmo as chamas mais baixas oferecem riscos ao funcionamento do sistema elétrico”, acrescenta. “O fogo pode queimar a base das torres de transmissão que, em alguns casos, são de madeira, causando sua queda, ou o aquecimento excessivo dos condutores de energia elétrica, o que provoca curto-circuito”, informa.

De acordo com a CPFL Paulista, as queimadas podem provocar dois tipos de desligamentos: os que vão de pequenos a grandes tempos de interrupção e os chamados “piscas”. Para o consumidor doméstico, os piscas são quase imperceptíveis, mas para as grandes indústrias, os desligamentos de curta duração, mesmo que de segundos, prejudicam a linha de produção.

O clima seco e o início da safra de cana-de-açúcar, cultura onde é comum atear fogo antes da colheita, fazem do período o de maior incidência de focos de queimadas. “É importante a conscientização da população, pois os incêndios sob a rede de transmissão e distribuição de energia, na grande maioria, são causados por queimadas utilizadas como método de poda de plantações agrícolas”, alerta Carlos Martins. “O impacto de queimadas sob a rede de transmissão é grande porque elas são responsáveis pelo abastecimento de grandes regiões”, conclui.

O presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana), Antônio Augusto Beluca, explica que não há plantações de cana embaixo de grandes redes elétricas. Ele reconhece, no entanto, que pode haver redes secundárias que passem por pequenas propriedades. Beluca ressalta, porém, que os produtores estão conscientes da responsabilidade e tomam as medidas necessárias para não atingir com as queimadas essas redes. “Neste caso, os produtores fazem o amassamento ou deitamento da cana (antes de atear fogo) para não atingir a rede de energia”, explica. “É de praxe fazer isso porque, se não, pode prejudicar ele ou prejudicar o vizinho dele”, completa, lembrando também que muitas queimadas são criminosas.