10 de julho de 2026
Internacional

Militares resgatam 41 corpos do vôo 447

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Fernando de Noronha - A Marinha e a Aeronáutica informaram ontem que já foram recolhidos 41 corpos de vítimas do Airbus da Air France, que caiu no oceano Atlântico no último dia 31 com 228 pessoas a bordo.

O governo francês solicitou ingresso em águas juridicionais brasileiras de dois rebocadores da França, que levarão 40 toneladas de equipamentos para auxílio às buscas. Segundo a Marinha e a Aeronáutica, uma área de instabilidade que atinge a região de Fernando de Noronha atrasou o transporte de corpos do oceano.

Os corpos passam por perícia inicial em Fernando de Noronha. Ao final dos trabalhos da PF (Polícia Federal), eles serão transportados para identificação no IML (Instituto Médico Legal) de Recife em uma aeronave C-130, também da FAB, numa viagem de cerca de uma hora.

O Airbus da Air France caiu no Atlântico no último dia 31, quando ia do Rio para Paris com 228 pessoas a bordo -12 tripulantes e 216 passageiros, entre eles 58 brasileiros. Não há hipóteses claras sobre o que pode ter derrubado a aeronave, mas já há certeza de que o avião sofreu despressurização e uma pane elétrica, porque a aeronave enviou alerta automático do tipo durante o vôo. Sabe-se também que a aeronave enfrentou forte turbulência. As primeiras suspeitas sobre o acidente recaem sobre os sensores de velocidade e a força do vento (Pitot), que aparentemente falharam nos minutos imediatamente anteriores ao acidente, segundo 24 alertas automáticos enviados pelo avião.

Vítimas

A Interpol (polícia internacional) vai ajudar a coordenar a identificação dos corpos das vítimas, anunciou ontem a organização policial em um comunicado recebido em Paris.

Enquanto as buscas não forem oficialmente encerradas, a situação jurídica dos parentes dos passageiros permanece complicada. Isso porque, na legislação brasileira, a regra é que não há morte sem corpo. A exceção é quando a Justiça declara a morte presumida de uma pessoa. Ela ocorre, segundo o Código Civil de 2002, “se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida”. É o caso dos passageiros do vôo 447, mas a declaração pode ser requerida somente “depois de esgotadas as buscas e averiguações”.

Corpos em Noronha

Os 16 primeiros corpos de vítimas do acidente chegaram ontem de manhã a Fernando de Noronha (PE), dando início ao procedimento de reconhecimento. Mais 25 corpos (17 deles recolhidos ontem) estão em outro navio militar, já com destino ao arquipélago.

Chovia forte na região, e uma das aeronaves só conseguiu pousar às 12h, cerca de duas horas depois da chegada do primeiro aparelho. Em terra, duas equipes de militares, com máscaras e aventais, se revezaram para retirar os corpos dos helicópteros. As vítimas foram colocadas em um contêiner refrigerado, com temperatura média de -18C.