Islamabad - O grupo xiita libanês Hizbollah acusou os Estados Unidos ontem de interferir “de modo flagrante e descarado’’ nas eleições do país, realizadas no último domingo, que deram a vitória para a coalizão Forças 14 de Março, apoiada pelo Ocidente e pelos países árabes moderados.
Em um comunicado, o grupo se refere a declarações de um alto funcionário da secretaria de Estado americana, cujo nome não foi informado, publicadas no periódico árabe editado em Londres “Asharq al Awsat’’.
Segundo o jornal, o americano afirmou anteontem, em entrevista coletiva, que “o próximo governo e o papel da minoria devem ser decididos pelos libaneses’’.
Além disso, ele expressou satisfação com o resultado das eleições e afirmou que “tratar com um ministro de Assuntos Exteriores que não fosse do Hizbollah seria melhor’’.
Para o grupo xiita, trata-se de “uma tentativa de impor seus pontos de vista (os dos EUA) ao povo libanês’’, segundo o comunicado.
O Hizbollah considerou “injusta e falsa’’ a afirmação do governo americano de que é um “grupo terrorista’’.
Os resultados das eleições deram a vitória à coalizão pró-ocidental Forças de 14 de Março, que obteve 71 cadeiras, frente às 57 obtidas pela aliança pró-Síria Forças de 8 de Março, integrada pelo Hizbollah.
O enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, George Mitchell, irá visitar a Síria e o Líbano ainda nesta semana, anunciou hoje o Departamento de Estado americano.
Segundo o porta-voz Ian Kelly, Mitchell deve chegar a Beirute amanhã e visitar a capital síria no dia seguinte e no sábado.
A viagem faz parte do compromisso do presidente Barack Obama “em trabalhar para o avanço de uma paz abrangente na região”.