08 de julho de 2026
Nacional

Pane da Telefônica deixa Estado mudo

Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min

São Paulo - Uma pane no sistema de voz de telefonia fixa da operadora Telefônica deixou diversas regiões de todo o Estado de São Paulo sem o serviço de recebimento e a realização de chamadas ao longo do dia de ontem. Além de milhões de consumidores, a falha afetou o atendimento de emergência da Polícia Militar, dos bombeiros, das ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e os números de atenção a clientes da Eletropaulo e da Comgás.

Em nota, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) diz “acompanhar com extrema preocupação as falhas nos serviços de telefonia fixa” da Telefônica e que “agentes de fiscalização trabalham em regime de urgência na verificação não só das causas, mas do alcance das conseqüências da paralisação” dos serviços.

De acordo com a Telefônica, o problema foi causado por uma falha em parte da rede de sinalização da empresa, necessária ao completamento de chamadas de voz ao conectar diversas centrais telefônicas, estabelecendo a ligação.

O problema, segundo a Telefônica, foi detectado às 9h e, às 15h, já havia restabelecido o tráfego de chamadas na rede de telefonia fixa. Depois desse horário, diz a empresa, alguns clientes corporativos ainda estavam sem serviço.

A operadora disse não saber informar quantas linhas e usuários foram afetados durante a pane. No total, a Telefônica tem 12 milhões de assinantes, entre clientes residenciais e empresas. Serviços como ligações locais, de longa distância nacional e internacional, chamadas para 0800, call centers e celulares ficaram fora do ar.

Na região de Ribeirão Preto, entre 9h e 10h30 não se conseguia fazer interurbano nem falar pelo celular. Ligações locais também ficaram comprometidas. Em Araraquara, André Parizi, 35 anos, dono de uma prestadora de serviços de desentupimento e dedetização, estima que deixou de receber em torno de 100 ligações. “O nosso trabalho depende 100% do telefone. Sem ele não temos o que fazer, ficamos de mão atadas.”

A Polícia Militar diz que o número 190 para atendimento a chamadas de emergência ficou fora do ar das 9h14 às 10h06. Nesse período, a PM costuma receber uma média de 600 ligações, segundo o major Marco Antônio Ragel Torres, chefe do centro de operações.

A polícia diz estar preparada para acionar um novo plano de contingência, caso o serviço da telefônica volte a falhar. O número 193, do Corpo de Bombeiros, ficou fora do ar das 9h20 às 9h40 e não teve plano de contingência. O Samu estima que deixou de registrar 30 chamadas entre as 9h15 e 9h43.

Usuários do Speedy, o serviço de banda larga da Telefônica, não foram afetados. Já quem usa conexão por linha discada para se conectar à Internet não conseguiu navegar.

Em Sorocaba, a pane na rede de sinalização da Telefônica tirou do ar a central de regulação do Samu de Sorocaba no meio de vários atendimentos. Ligações que davam conta de pelo menos um acidente e de vários pedidos de ajuda médica foram interrompidas.

A pedido da Secretaria da Saúde, foi montado um sistema alternativo com aparelhos celulares para dar suporte a serviços de emergência, como a solicitação de ambulâncias. As unidades de saúde, escolas e atendimento ao público também foram afetadas.

Em Campinas, a pane prejudicou também o comércio. Lojistas que dependiam de consultas de crédito ou encomendas por telefone, e dos sistemas de cartões de crédito e débito tiveram que ter jogo de cintura para não perder as vendas. Segundo informações da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), o número de consultas à Central de Proteção ao Crédito caiu 2% ontem, o equivalente a 160 ligações das 8 mil ligações diárias que o departamento recebe. O período de queda no número de consultas durou cerca de uma hora e meia, durante a manhã de ontem.

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Procon notifica empresa

São Paulo - O Procon-SP notificou a Telefônica ontem em razão dos problemas registrados nos serviços de telefonia fixa da empresa. A empresa tem até segunda-feira para explicar os motivos da pane, as soluções encontradas e a proposta para ressarcir os consumidores afetados.

Com base nesses dados, o órgão vai determinar ações sobre o assunto. Desde a manhã de ontem usuários do serviços da Telefônica no Estado de São Paulo relatam dificuldades em efetuar ligações telefônicas.

Entretanto, o estabelecimento do prazo não significa, necessariamente, que o Procon vá tomar ações imediatas. No mês passado, quando ocorreu uma nova pane nos serviços Speedy, o órgão também pediu explicações, mas ainda não determinou uma punição à empresa - a instituição informa que ainda está analisando o assunto.

Em 2008, a Telefônica liderou, pelo terceiro ano consecutivo, o ranking de reclamações fundamentadas pelo Procon na cidade de São Paulo. A empresa de telefonia recebeu 3.615 reclamações.

Na tarde de ontem, a Telefônica informou que os problemas em sua rede de telefonia fixa ainda persistem para alguns de seus clientes corporativos. Também não foram solucionados os problemas de clientes que realizaram portabilidade numérica para outras redes diferentes da rede da Telefônica.

Tentar acordo

Clientes residenciais ou corporativos lesados pela pane da Telefônica podem entrar na Justiça ou tentar acordo com a própria empresa para conseguir reparação financeira do dano.

O Procon recomenda que o primeiro passo seja procurar a companhia. É possível, por exemplo, solicitar que a próxima fatura traga desconto proporcional às horas em que o serviço não funcionou.

Outra possibilidade é pedir reembolso de despesas feitas devido à pane. É o que poderá fazer a (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), onde grande parte das linhas não fez chamadas hoje e os funcionários tiveram de usar celulares corporativos ou particulares.

Se não conseguir acordo satisfatório, o cliente residencial pode procurar o Procon. Outra alternativa, também válida para empresas, é pedir na Justiça ressarcimento por danos materiais ou morais.

Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o cliente não precisa provar a pane. Cabe à companhia provar que não houve dano. Sobre o tema, a Telefônica diz que “cumprirá com o que estabelece a regulamentação sobre interrupção de serviço”.