A morte por atropelamento de uma dona de casa de 49 anos ocorrido ontem à tarde na avenida Duque de Caxias, em Bauru, engrossou a já extensa lista das vítimas fatais por este tipo de acidente de trânsito neste ano na cidade: das 16 mortes no trânsito urbano desde o início de 2009, sete foram por atropelamento. Em cinco dias, é o terceiro caso.
Maria Aparecida do Carmo Souza Ferreira estava num ponto de ônibus do Jardim Cruzeiro do Sul, onde, por volta de 14h, segundo testemunhas relataram, subtamente levantou-se, já passando mal. Quase que imediatamente, caiu na rua e foi atingida por um ônibus que deixava o ponto. Testemunhas, segundo consta em boletim de ocorrência, relataram que a mulher, pouco antes, aparentava estar embriagada.
Ela chegou a ser atendida por uma equipe do Resgate do Corpo de Bombeiros e foi encaminhada ao Pronto-Socorro Central, mas não resistiu aos ferimentos e morreu pouco após dar entrada. De acordo com parecer médico, a vítima foi a óbito por politraumatismo, com fraturas no quadril, crânio, além de ter sofrido hemorragia interna.
Essa é a terceira morte por atropelamento registrada em apenas cinco dias na cidade. Na sexta-feira passada, Maria Aparecida do Carmo de Souza, 40 anos, morreu após ser atropelada por uma moto e, em seguida, ser atingida por um carro - ela havia acabado de descer de um ônibus na avenida Rodrigues Alves.
No mesmo dia, Amaro Vilarin de Souza, 71 anos, foi atropelado por moto na esquina entre as ruas 13 de Maio e 1º de agosto, no Centro de Bauru. Ele foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base e morreu dias depois.
A lista das mortes por atropelamento em Bauru neste ano Neusa inclui Camanforte Mocilha, atingida por uma motocicleta no cruzamento das ruas Santos Dumont e Silva Jardim, no Jardim Bela Vista, no mês passado, Massao Ichikawa, 92 anos, morto em abril, ao também ser atingido por uma moto, na via Bauru-Piratininga, que, apesar de estrada vicinal, apresenta traços urbanos pela proximidade entre as cidades e grande fluxo de trânsito local, principalmente entre moradores de condomínios e chácaras da região.
Outra vítima fatal por atropelamento foi July Carla de Oliveira, 3 anos, que em fevereiro foi atingida por uma moto na rua Heitor Maia, Vila Santa Luzia. Outra vítima foi o andarilho Maurício “Gasolina”, morto após ser atingido por dois carros na avenida Duque de Caxias, durante o mesmo mês.
Abaixo-assinado
Preocupados com a iminência de acidentes no cruzamento entre a avenida Rodrigues Alves e rua Antônio dos Reis, moradores e comerciantes da região protocolaram nesta semana na Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) abaixo-assinado, preenchido por 425 pessoas, requerendo um semáforo para o local.
Luciano Tane, que trabalha num posto de combustíveis que fica no cruzamento, afirma que tomou a frente da iniciativa motivado pelos recentes acidentes observados na cidade. “Um semáforo aqui é muito necessário. Ainda não vi nenhuma morte neste cruzamento. É melhor colocar o sinaleiro antes que aconteça”, enfatiza. “Temos escola próxima, muitas crianças passam por aqui em horário de pico”, ilustra.
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Idosos e crianças são principais vítimas
Segundo a Polícia Militar, idosos e crianças são os dois grupos que requerem maior atenção dos motoristas não apenas quanto a atropelamentos mais também a demais acidentes de trânsito na área urbana. Com base na estatística, motocicleta é o veículo mais envolvido em casos de morte por atropelamento.
Neste ano, das sete pessoas que morreram atropeladas, cinco foram atingidas por moto. “Nossa maior preocupação é com as motocicletas”, endossa o tenente Jorge Luís Dias, comandante do Pelotão de Trânsito da PM em Bauru. O oficial acentua que, além da maioria dos acidentes ter o envolvimento de motos, o perfil dos atropelados, salvo poucas exceções, é de idosos ou crianças.
“Quando a família notar que o idoso não tem mais condições de se locomover sozinho, não pode deixá-lo sair para rua desacompanhado. Ele deve ser monitorado por um familiar ou pessoa próxima”, aconselha. “É importante também que o idoso sempre use roupa clara, para ajudar na visualização pelo condutor”, completa.
Já os pequenos, adverte o tenente, nunca devem estar sozinhos próximos ao passeio público. “Já vimos muitos casos de crianças que, mesmo em casa, acabam vítimas de atropelamento ao saírem na rua de repente por causa de um portão aberto”.
“É preciso que a família mantenha vigilância constante. Crianças na rua não têm noção de velocidade”, acentua o policial que, apesar da constância nos acidentes, afirma que os números – foram 25 os mortos no trânsito ano passado - ainda não são alarmantes.
“Já tivemos anos com 33 mortos no trânsito em Bauru. Obviamente que cada caso se trata de uma vida e uma morte no trânsito traumatiza muito”, lamenta.