10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Motoristas votam nova proposta amanhã

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A novela sobre o reajuste salarial dos trabalhadores do transporte coletivo de Bauru teve mais um capítulo na tarde de ontem. No período foi realizada nova audiência de conciliação entre representantes do Sindicato dos Trabalhadores de Transporte de Bauru e Região (Sindtran) e Associação das Empresas do Transporte Coletivo Urbano de Bauru (Transurb) - que reúne as três concessionárias do setor na cidade.

O desembargador Luís Carlos Cândido Martins Sotero da Silva, presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 15.ª Região, sediado em Campinas, fez nova proposta. A categoria decide amanhã se aceita ou não os novos valores. Em caso de recusa, será deflagrada a greve. O TRT já determinou que, se houver a paralisação, ao menos 50% dos ônibus devem circular nos horários normais e 70% nos horários de pico, sob pena de multa de R$ 50 mil por dia.

O desembargador propôs aumento de 7%, tíquete refeição no valor de R$ 210,00, participação dos lucros no valor de R$ 480,00 a ser pago em duas parcelas iguais de R$ 240,00. Além de horas extras remuneradas com o adicional de 50% nos dias normais, 100% nos feriados e 110% nos dias de folga. Também foi sugerido que seja formada uma comissão mista de estudos sobre jornada de trabalho e a contratação de cobradores.

A Transurb aceitou o reajuste proposto, assim como as remunerações de hora extra e a criação da comissão. Porém, não aceitou os valores de tíquete-refeição e de participação de lucro. Após a audiência, em conversa com o Sindtran, a Transurb propôs R$ 200,00 para o tíquete e R$ 460,00 para a participação nos lucros. Essa é a proposta que será votada amanhã.

Logo no início das negociações, a Transurb ofereceu somente a reposição das perdas causadas pela inflação, com reajuste de R$ 5,83%. A demanda da categoria é reajuste de 16%, R$ 600,00 de participação nos resultados (que atualmente é de R$ 120,00) e R$ 300,00 de tíquete-refeição, que atualmente é de R$ 150,00.

Ainda durante a audiência de conciliação, o desembargador concedeu liminar para que seja mantido, em caso de greve, o funcionamento de 70% da frota nos horários de pico - das 6h às 9h e das 17h às 19h30 - e 50% nos demais horários, sob pena de pagamento de multa diária de R$ 50 mil pelo sindicato, em caso de descumprimento.

Caso a assembléia decida pela greve, o Sindtran irá protocolar em cada empresa aviso da paralisação e só poderá iniciar a suspensão do trabalho 72h depois da comunicação. Assim que receber a notificação, a Transurb terá 24h para protocolar ação contra o movimento.

Na noite de ontem, José Rodrigues da Silva, presidente do Sindtran, informou que ainda iria se reunir com os trabalhadores para explicar o que foi proposto pelas empresas. A discussão também seria feita hoje, inclusive, para a categoria decidir o horário que a assembléia de amanhã deve começar. Pelos cálculos de Rodrigues, caso os novos valores sejam aceitos, ao final do mês os motoristas terão um aumento, entre salário e benefícios, de 14% e os cobradores de 18%. “Ele (o desembargador) avaliou que a proposta apresentada foi boa. Mas é o trabalhador quem decide”, explica.