Com 187 quilômetros de extensão, o litoral pernambucano pode ser facilmente explorado. A dificuldade é deixar uma praia e partir para outra: o visitante só quer curtir o dolce far niente, enquanto aproveita a vista e beberica uma água-de-coco.
O único ponto mais trabalhoso para chegar é Fernando de Noronha, a 550 quilômetros do Recife. No litoral sul, Porto de Galinhas, praia do município de Ipojuca, é uma febre entre os turistas. O nome vem dos navios clandestinos que traziam escravos depois da abolição - os chamados “galinhas de Angola”.
Esculpidas em raiz de coqueiro, as aves foram criadas pelo artista Carcará e se tornaram um símbolo local, espalhadas pelas ruas. Ele também aproveita troncos de árvores mortas em suas peças.
O excesso de visitantes começa a ameaçar a barreira de corais que deu fama ao lugar. De acordo com o secretário adjunto de Turismo de Ipojuca, Diego Jatobá, a prefeitura já começou a pôr em prática algumas medidas para impedir a degradação da antiga vila de pescadores.
Dependendo da maré, algumas piscinas naturais ficam interditadas para mergulho. Além das cordas que limitam a passagem, fiscais observam atentos quem tenta ultrapassá-las.
Outra providência foi a aprovação da lei que impede a construção de hotéis. Segundo Jatobá, só os que tiveram o projeto aprovado antes da lei poderão ser erguidos.
Ainda assim, o movimento turístico é intenso. Os 80 jangadeiros cadastrados pela prefeitura levam e trazem os visitantes à barreira de corais várias vezes ao dia durante o verão. O passeio custa cerca de R$ 8,00 por pessoa.
As piscinas naturais - uma delas tem o formato do mapa do Brasil - ficam repletas de peixes coloridos. Nas jangadas, os visitantes ganham ração para alimentar os peixinhos, que vêm comer na mão.
Pelas praias
Uma dica para conhecer as praias próximas é fazer o tour “ponta a ponta”, de buggy. O trajeto engloba as praias de Muro Alto, famosa pelos luxuosos resorts, e Maracaípe, a preferida dos surfistas. São 256 bugueiros cadastrados, que cobram R$ 70,00 por duas horas (podem ir até quatro pessoas) ou R$ 90,00 pelo dia todo.
Aproveite para fazer também o passeio de jangada pelo Rio Maracaípe (R$ 8,00). No trajeto, o jangadeiro Reginaldo Laurentino Junior, presidente da associação local, explica aos turistas as diferenças entre os tipos de mangue e sobre as diversas espécies de crustáceos e moluscos ali encontradas.
Mas o que mais fascina os turistas são os cavalos-marinhos. Difíceis de identificar, eles se camuflam enroscando a cauda nas raízes dos mangues. Para preservar a exótica espécie, foi criado o Projeto Hippocampus. Por enquanto, a sede da entidade está em reforma e deve ser aberta ao público em breve, no centro de Porto de Galinhas.
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Cabo de Santo Agostinho
Ao norte de Porto de Galinhas e 33 quilômetros distante do Recife, Cabo de Santo Agostinho também vale a visita. Segundo alguns historiadores, o navegador espanhol Vicente Pinzón teria desembarcado na Praia de Santo Agostinho três meses antes de Cabral chegar ao litoral brasileiro.
Gaibu é uma das praias mais movimentadas, com hotéis, bares e restaurantes. Quem tiver disposição para se aventurar por uma trilha pode conhecer também a vizinha Calhetas. Há um acesso para ir de carro - mas sem o mesmo charme.
Na estrada para a Praia do Paiva, pare e tome um banho de lama, por R$ 3,00. Os visitantes “chafurdam” numa lagoa, e passam a lama por todo o corpo. Quem experimenta, garante: a pele fica renovada.
Se tiver tempo, passe pelo Engenho Massangana, às margens da rodovia PE-60. Na construção do século 19 - atualmente utilizada como centro cultural -, o abolicionista Joaquim Nabuco viveu parte da infância.
Em Cabo também é possível percorrer os pontos turísticos de buggy. O preço varia de acordo com o trajeto e o tempo de passeio.
• Serviço
Informações: (81) 8887-5757.