09 de julho de 2026
Geral

À vontade, fiéis celebram Corpus Christi

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

No único dia do ano em que a Hóstia Consagrada sai do sacrário e vai para as ruas, Ela é celebrada pelos fiéis de modo diferente. Ao ar livre, a missa de Corpus Christi, realizada ontem à tarde em Bauru em frente às escadarias da Igreja de Santa Teresinha, permitiu aos católicos de Bauru que acompanhassem a cerimônia mais à vontade. Enquanto crianças iam e vinham soltas em pontos da praça, cada palavra pronunciada era ouvida com a atenção e o respeito que exige a fé.

Apesar das quatro mil pessoas, especialmente durante a aclamação do Evangelho e o sermão, era possível ‘ouvir’ o silêncio em meio à multidão. Ainda assim, no decorrer da cerimônia, os pipoqueiros quase não ficaram parados. “Por ser uma missa campal, a gente fica mais à vontade. Nem por isso deixa de ouvir, de participar. É um exercício de que a fé pode transpassar as paredes”, diz o comerciário Wagner José Gomes.

Assim como vários outros adultos e crianças, comprou um saquinho de pipoca durante a cerimônia. Quase ao lado dele, o torneiro mecânico André Silva Oliveira acompanhou toda a missa sobre o banco da própria bicicleta. Para ele, compartilhar da palavra de Deus de forma descontraída também é importante. Acredita que se oportunidades assim fossem mais freqüentes, talvez a Igreja Católica arrebanhasse mais jovens como ele, atualmente distante dos templos.

A missa campal ainda traz alívio para pais de crianças pequenas. Permanecem menos constrangidos com a típica inquietude dos rebentos. “Na igreja ficam mais agitados. Assim, mais tranqüilos”, admite Marcos Aurélio Assis.

Tempo

Ontem, ele participou da celebração com a esposa Andréia, o filho Marcos Vinícios, 12 anos, a filha Ana Carolina, 10 anos, e Pedro Henrique, 8 meses. Levou toda a família à cerimônia, embora o tempo estivesse fechado.

Provavelmente por conta das nuvens, em alguns pontos carregadas, o público neste ano foi um pouco menor em relação ao ano passado, informou a Polícia Militar, principalmente durante a missa. Para não perdê-la, aos 82 anos, Norma Zanetti Goulart estava munida de guarda-chuva e bengala para acompanhar a procissão. Quando ela começou, Igor Octávio Souza da Silva, 11 anos, Bruno Dale Santana, 10 anos, e Felipe Natanael Pinto Gonçalves, 10 anos, coroinhas, representaram os freis da Paróquia Santa Luzia.

Permaneceram como guardiões de um pedaço do grande tapete enfeitado com cobertores, flores, velas, sacos com sapatos, produtos de higiene pessoal e até cestas com pães, tudo doado a entidades, - por onde passou a Eucaristia. Após a comunhão, o bispo dom Caetano Ferrari, em sinal de respeito ao Santíssimo Sacramento, utilizou incenso. Um meio de pedir a Deus que aceite esse pequeno gesto de seu povo. Antes, no sermão, disse que a Eucaristia é o sacramento do amor.

“O mistério do amor de Deus dado por nós. Deus tanto amou o mundo, que enviou seu filho Jesus para nos Salvar. E Jesus veio por Maria, desceu dos céus para fazer a humanidade subir à comunhão com o Pai, por meio Dele e o Espírito Santo. Tudo por amor”, afirmou.

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Procissão pára Rodrigues

Uma das avenidas mais movimentadas de Bauru, a Rodrigues Alves, parou ontem, ao final da tarde, durante a procissão de Corpus Christi. Atrás de seminaristas e padres, o bispo de Bauru, dom Caetano Ferrari, percorreu ruas da cidade com a Hóstia na mão, sobre um baldaquino. Partiu das escadarias da Igreja de Santa Teresinha, em direção à Catedral do Divino Espírito Santo, onde deu a bênção final para os fiéis reunidos na Praça Rui Barbosa.

Até chegar lá, percorreu as ruas 7 de Setembro e Gustavo Maciel até a 1 de Agosto. Pelo trajeto, a Eucaristia foi aplaudida várias vezes, enquanto os católicos cantavam e se cumprimentavam. Conforme a reportagem publicou, os cobertores, agasalhos e demais produtos doados pela comunidade serão distribuídos a entidades e população carente.