Paixão é mesmo cega. E a afirmação não é empírica. Foi comprovada pela ciência. Pesquisas recentes mostram que o cérebro da pessoa apaixonada desativa estruturas responsáveis pelo julgamento crítico e por mantê-la em alerta contra as ameaças do ambiente. Mas quando a paixão evolui para o amor, os mecanismos de defesa são retomados. Além de prazer e bem-estar, o amor ainda contribui com a evolução da espécie, aponta o trabalho.
O assunto está sendo apresentado no 5.º Congresso Brasileiro do Cérebro, Comportamento e Emoções, que será encerrado amanhã, em Gramado (Rio Grande do Sul). Em “A ciência por trás da paixão – novas pesquisas sobre amor e felicidade”, o neurologista André Palmini, da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), reitera que o apaixonado dificilmente consegue ver defeitos e desconfiar da pessoa amada.
“Estudos com imagens mostram que os mecanismos cerebrais que nos fazem ter uma visão crítica sobre as atitudes dos outros são desativados. É a explicação da ciência para a cegueira da paixão”, afirma. Mas de acordo com ele, se no auge da paixão os mecanismos quase não são ativados, com a consolidação do sentimento em amor, o cérebro começa a reagir. Volta a ver a pessoa amada de forma parecida em relação aos outros.
Segundo Palmini, o amor também é um dos responsáveis pela preservação da espécie. “Temos no nosso cérebro um sistema de recompensa, que é o que nos faz buscar alimentos, água e a sobrevivência em geral. Pesquisas demonstraram que o amor também ativa de forma intensa este sistema, nos proporcionando prazer e bem-estar. Na busca de bem-estar, amamos, nos reproduzimos e evoluimos como espécie”, explica.
Para ele, um desafio da neurociência é apurar a razão pela qual as pessoas continuam juntas, mesmo depois das mudanças no comportamento cerebral, que permitem aos casais “enxergar” melhor o companheiro.
Fácil
Mas amor ou paixão, certo é que tais sentimentos são exigentes. O primeiro, inevitavelmente, provoca ao menos ansiedade ou angústia. O segundo cobra ‘trabalho’ para mantê-lo. Muito mais descompromissado é o tal ‘ficar’, atualmente em moda.
“O povo prefere ‘ficar’ porque é mais fácil. Não quer responsabilidade. Chega e beija. Namorar é mais difícil, tem que conquistar”, comenta Leonardo Oliveira Franco, 21 anos. ‘Solteiro’ há pouco tempo, ele admite que prefere namorar. “Não gosto de ficar sozinho”, diz. Tem a mesma preferência Gabriela Navarro, que encerrou um relacionamento às vésperas do dia 12 de junho. “Ficar está na onda, principalmente para quem está na faculdade. Tem balada toda a semana”, comenta.
Tem opinião semelhante o casal Fernanda Galvani e Vinícius Mahfuz. No entanto, estão juntos há um ano, praticamente desde o dia em que se conheceram. O aspecto positivo do ‘ficar’ ainda foi reiterado pelos amigos Fernando Crespi, 23 anos, e Alessandro Xavier Moura, 21 anos. O último, porém, pediu à reportagem que editasse a melhor imagem para, quem sabe, conseguir uma namorada ainda em tempo da comemoração.
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Pedágio do Amor
Com o Pedágio do Amor, a 96 FM também homenageará hoje os namorados, a partir das 20h. Quem passar pela avenida Getúlio Vargas, em frente à rádio, vai curtir um clima romântico. Além de música ao vivo com as bandas Monte de Bossa e Rock IV, bauruenses serão presenteados com bombons, poemas de amor e participarão de sorteios de brindes.