O aposentado bauruense Francisco Giuliano Nicolielo, o Chico Nicola, resolveu comemorar os 80 anos, completados neste ano, lançando um livro em que registra receitas de remédios preparados com plantas medicinais. Para ele, a cura para “os males” não precisa passar, necessariamente, pelas farmácias.
Chico conta que descobriu o poder curativo das raízes e plantas depois de passar a vida toda cuidando de fazendas em sertões, inclusive no Estado de Mato Grosso. “Eu era uma pessoa que vivia trabalhando em fazenda, tomava friagem de madrugada e o meu corpo doía todo. Eu tomava remédio, que não resolvia e dava azia. Aí eu procurei remédio no mato e, graças à flora brasileira, que é muito rica, eu melhorei”, comenta.
Os remédios são preparados por ele em sua casa, no condomínio Samambaia. O aposentado afirma que hoje tem disposição de jovem. “Tem muita gente que chega aos 80, mas sem disposição, doente. Eu, graças a Deus, não tenho nada”, diz. Ele garante que não tem problemas de colesterol alto e nem pressão cardíaca.
Chico explica que encontra em sua horta todo o medicamento que necessita quando algum problema de saúde aparece. É por este motivo que ele não abre mão de cuidar diariamente de sua horta, das 7h às 11h.
Uma das preocupações do aposentado, no entanto, é registrar as receitas dos remédios à base de plantas medicinais. Ele teme que este conhecimento seja esquecido pelas gerações futuras. Foi pensando nisso que escreveu dois livros sobre o assunto.
“Eu sou feliz e não tenho enfermidade nenhuma e as que tinha eu curei com remédio da mata”, afirma. “Não tinha, outro jeito a não ser fazer um livrinho de 45 folhas. Não precisa mais nada para viver”, acredita.
Intitulado “Vida Longa com Saúde”, o livro está na segunda edição. Na primeira foram impressos 50 exemplares e na segunda, 100. “Mas só restam uns 30”, comemora o aposentado, que se diz amante da cultura brasileira.
“Eu tenho sete livros para lançar, prontos, e eu quero ver se, depois desse, eu lanço todos eles porque contam a verdadeira cultura brasileira, a vida do índio, do sertão, do peão”, diz, entusiasmado.
Em um dos livros, Chico denuncia os laboratórios estrangeiros que, segundo ele, há muito tempo estariam roubando plantas e raízes do Brasil com poderes medicinais. “Os remédios importados não mostram o princípio ativo. Isso acontece porque (o princípio ativo) é nosso”, conclui.