10 de julho de 2026
Internacional

Ahmadinejad lidera apuração; Mousavi aposta na vitória


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Teerã - Com 47% dos votos apurados na madrugada de ontem (19h15 em Brasília), o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que busca a reeleição para mais um mandato de quatro anos, tinha quase 68% dos votos, contra 34% de seu rival, o reformista moderado Mir Hossein Mousavi.

A apuração deve terminar por volta das 13h de hoje em Teerã (5h30 em Brasília).

Os dois candidatos declararam vitória ontem à noite, após a campanha mais acirrada na história do país. Na madrugada, assessores de Mousavi já afirmavam que o resultado era uma “fraude’’. Não há pesquisas de boca de urna.

Horas antes do fechamento das urnas, Mousavi declarou que “baseado em contas preliminares, sou o vencedor”. Seus assessores dizem que ele teve 65% dos votos.

Assessores de Ahmadinejad disseram que o presidente conseguiu a reeleição, sem dar mais dados. A agência oficial de notícias iraniana, Irna, também declarou uma “ampla vitória” do atual presidente. Se nenhum dos candidatos tiver mais de 50% dos votos após a apuração final, haverá um segundo turno na próxima sexta-feira.

Com quatro candidatos na disputa, porém, a corrida já ficou polarizada na primeira votação entre o ultraconservador Ahmadinejad e o moderado Mousavi, 67 anos, que entre 1980 e 1988 foi primeiro-ministro do país, cargo que não existe mais, e desde então estava afastado da política.

Ahmadinejad é mais popular entre camponeses, aposentados, funcionários públicos e militares, depois de manter programas assistenciais no interior, aumentar salários do funcionalismo e provocar os EUA e Israel com um controverso programa nuclear.

Mousavi é o favorito entre mulheres, universitários, jovens urbanos, minorias étnicas e na classe média, prometendo menos restrições na vida cotidiana e melhores relações com o Ocidente.Desde a criação da República Islâmica do Irã, em 1979, todos os presidentes conseguiram se reeleger para um segundo mandato.

Poder limitado

Mas ser o mais votado não é suficiente para garantir a Presidência, já que o país mescla democracia com teocracia islâmica. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, tem o poder de referendar ou não o resultado das urnas, assim como o Conselho de Guardiães, formado por clérigos.

Ainda há muito voto de cabresto - acredita-se que da Guarda Revolucionária ao Exército, passando por camponeses e analfabetos, o voto determinado por superiores é comum no país, além das acusações de fraude. Tudo isso tira o sono dos reformistas, que poderiam até vencer nas urnas, mas não levar.