10 de julho de 2026
Nacional

Ex-ministro acredita em dias melhores


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São Paulo - O ex-ministro da Agricultura e professor da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Rodrigues, acredita que as empresas do agronegócio deverão ganhar fôlego nos próximos meses com a tendência de recuperação de preço e de consumo tanto para a carne quanto para o açúcar. “A atividade sucroalcooleira tem um horizonte mais animador porque o preço subiu, principalmente no primeiro quadrimestre, graças aos problemas de safra que a Índia, grande produtora, teve”, explica Rodrigues.

No caso das carnes, o grande impulso, segundo o ex-ministro, deverá vir da abertura de novos mercados e da aquecida demanda interna. Além disso, a produção caiu nos últimos meses por conta dos problemas no setor e, com a oferta menor, a tendência é de aumento de preço.

Analista de agronegócio da consultoria Tendências, Amarilys Romano também acredita em recuperação no açúcar e na carne no segundo semestre deste ano e em 2010. “Os custos de produção não devem aumentar e a rentabilidade deverá ser maior.”

Recuperações judiciais

No setor de carne bovina, um dos mais afetados pela crise internacional, a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) contabilizou 50 unidades fechadas ou com abates suspensos. O grupo Independência, um dos principais do Brasil, pediu recuperação judicial e suspendeu os abates em 13 unidades. Dessas, cinco ficam em Mato Grosso, afetado também pelo fechamento de cinco unidades do grupo Quatro Marcos e três do grupo Arantes.

Apenas o grupo Arantes, ao pedir a recuperação judicial, somava dívidas estimadas em R$ 1,5 bilhão. Em Mato Grosso do Sul, o impacto da queda nas exportações de carne foi ainda mais forte: 21 dos 36 frigoríficos suspenderam os abates. Segundo o presidente da Abrafrigo, Péricles Salazar, parte das unidades que tinham parado em todo o País retoma aos poucos a produção, mas a crise está longe de ser superada.

No setor avícola, a crise precipitou a fusão entre a Perdigão e a Sadia, originando a Brasil Foods (BRF). A nova empresa, porém, já surgiu com dívidas de R$ 10,4 bilhões. O maior montante foi herdado da Sadia, que teve perdas significativas com derivativos no ano passado. É dado como certo que a BRF vai enxugar a grande estrutura. No Estado de São Paulo, a Frango Sertanejo, do grupo Arantes, com planta de abates na região de São José do Rio Preto (SP), foi atingida pelo pedido de recuperação judicial da companhia. Grupos avícolas de menor porte dispensaram funcionários e fecharam unidades. A Frango Forte paralisou abatedouros em Conchas e Tietê, no Interior paulista.