09 de julho de 2026
Nacional

Parada Gay reforça tom político


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São Paulo - Sem trios de boates GLS, a Parada Gay de São Paulo reforçou o tom político em sua 13.ª edição, realizada ontem do meio-dia ao início da noite. Foi a primeira vez em muitos anos que, em meio a reclamações sobre a tarifa de R$ 10 mil para desfilar, nenhuma casa noturna participou do evento. A produção do clima de festa ficou, então, nas mãos dos carros de militantes. Eram grupos engajados não apenas em causas especificamente gays, mas em defesa do meio ambiente e igualdade racial, além da promoção de igrejas e sindicatos.

A lei estadual antifumo (que proibirá o cigarro em locais fechados de São Paulo a partir de agosto) foi uma das “marcas” divulgadas no desfile. Frases em defesa da lei estampavam camisetas e bolas infláveis gigantes, em várias cores, que eram rebatidas entre a multidão. Também havia cartazes sobre o tema no trio da drag queen Salete Campari, um dos mais festejados do desfile, com artistas como Rogéria e Leão Lobo e grande presença de go go boys (dançarinos sem camisa, em geral de sunga branca).

Em quase todos os 20 trios que atravessaram a parada (do parque Trianon, na avenida Paulista, até a praça Roosevelt, no centro, passando pela avenida Consolação), esses rapazes descamisados, as drag queens e outros artistas dividiam espaço com mensagens de engajamento. Uma das poucas exceções de trio majoritariamente festivo, sem ativismo evidente, era o patrocinado pelo Disponível.com, site de relacionamentos voltado para o público GLS.

Com 17 centímetros de salto nas botas vermelhas, a drag queen Cindy Cristal se preparava para atravessar a parada no carro do Centro dos Trabalhadores do Brasil (CTB). “Adoro participar dessa coisa mais cívica”, dizia.

Ao seu lado, Wagner Fajardo, um dos representantes do CTB, explicava a que veio o trio da central, que fazia a sua primeira participação no evento. Representante da UGT, também em seu primeiro desfile, Cleonice Caetano celebrava a oportunidade. A CUT também tinha trio elétrico na parada, assim como várias agremiações de profissionais, como as de telemarketing (Sintratel), de enfermeiros (Seesp) e de professores (Apeoesp).

Espinha dorsal do evento, o ativismo gay ficou parado em boa parte do evento. Com o tema “Não Homofobia”, um caminhão de som na avenida Paulista convidava o público a participar de um abaixo-assinado que defende projeto de lei federal que torna crime discriminar homossexuais.

A Polícia Militar decidiu não divulgar estimativa de multidão. A organização do evento dizia esperar 3,5 milhões de pessoas.