10 de julho de 2026
Nacional

CPI deve ficar para depois do recesso


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Brasília - Apesar da disposição do PSDB de abrir mão da relatoria da CPI das ONGs, o que deve possibilitar a instalação da comissão que investigará a Petrobras, líderes da base aliado ao presidente Lula no Senado trabalham para adiar o início dos trabalhos para depois do recesso.

A aposta é que as comemorações de São João no Nordeste esvaziem o Congresso pelo menos até o início de julho. As férias de meio de ano dos congressistas começam no dia 18 de julho e seguem até agosto. Depois disso, a aposta dos governistas é a de que o assunto perca destaque.

Alguns senadores da base aliada acreditam ainda que a defesa das investigações pela oposição é apenas discurso, com algumas exceções.

Nesta semana, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), se reúne com a bancada e com o DEM para decidir se aceita ou não deixar a relatoria da CPI das ONGs. Sua saída é tratada como possível pela oposição.

O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), ressalta, no entanto, que seu partido e o PSDB precisam definir qual das CPIs, a das ONGs ou a da Petrobras, é mais importante nesse momento.

Para Agripino, o governo está em posição confortável porque se conseguir enterrar a CPI da Petrobras terá desgaste junto à opinião pública, mas muito menor do que se ver envolvido nas investigações da estatal.

Se Virgílio aceitar sair da relatoria da CPI das ONGs, o discurso oficial da base aliada é apenas o de que vão aceitar uma negociação. “Acredito que se ele (Arthur Virgílio) abrir mão, nós podemos sentar para conversar e tentar sair desse impasse”, disse o líder do PTB no Senado, Gim Argello (DF).

A relatoria da CPI das ONGs foi a condição apresentada pelos governistas para a instalação da CPI das Petrobras. A base aliada quer reconduzir o senador Inácio Arruda (PC do B-CE) para o cargo com o objetivo de impedir que Virgílio conduza as investigações. Arruda deixou a relatoria depois de se tornar suplente da comissão para assumir vaga de titular na CPI da Petrobras.

Contratos da Petrobras

O PSDB também afirmou ontem que pedirá ao procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, abertura de investigação sobre os contratos assinados pela gerência de Comunicação da área de Abastecimento da Petrobras.

A “Folha de São Paulo” revelou hoje que o setor comandado pelo então funcionário Geovane de Morais repassou R$ 4 milhões em 2008, sem licitação, a duas produtoras de vídeo de Salvador que prestavam serviços a políticos do PT. Do total repassado, R$ 1,5 milhão foi para a filmagem de festas de São João e Carnaval na Bahia.

Morais foi demitido por justa causa, em abril, após a estatal ter constatado indícios de irregularidades nos contratos sob a responsabilidade dele, incluindo suspeita de desvio de recursos.

A Petrobras afirma não ter identificado sinais de favorecimento ao PT e diz que, desde dezembro passado, apura irregularidades.

A estatal também determinou análise de todos os contratos e pagamentos efetuados pela gerência em 2008, o que deve ser concluído até o fim do ano. “A reportagem da Folha confirma o que se sabia. A Petrobras é hoje o maior caixa de campanha do PT e da história do País”, disse o senador Álvaro Dias, autor do requerimento de criação da CPI da Petrobras. “Quantos milhões já não foram transferidos (pela estatal) para beneficiar o PT?”, afirmou.