09 de julho de 2026
Bairros

Desconhecida, coleta de lixo eletrônico é feita pela Semma

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 5 min

Muita gente tem equipamentos de informática quebrados ou ultrapassados ocupando espaço em casa. Outros não sabem o que fazer com aquela geladeira velha encostada no quintal. Com o objetivo de dar destinação correta a esse tipo de lixo, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) mantém, desde o segundo semestre do ano passado, um programa para a recolha do lixo eletroeletrônico em Bauru. Apesar da iniciativa positiva, ainda há regiões da cidade que não possuem postos de coleta.

O lixo eletroeletrônico é levado à Cooperativa dos Trabalhadores de Materiais Recicláveis (Cotramati), no Jardim Redentor, que desmonta os parelhos, separa seus componentes e os vende como sucata. Porém, não é tudo que pode ser disponibilizado para a coleta seletiva da Semma, que atualmente abrange 70% da cidade.

De acordo com Sidnei Rodrigues, diretor do departamento de ações e recursos ambientais da secretaria, eletrodomésticos como geladeiras, fogões, fornos de microondas e máquinas de lavar roupa devem ser levados a algumas unidades da Secretaria das Administrações Regionais (Sear), que firmou parceria com a Semma. “Atualmente, as regionais Jardim Bela Vista, Vila Falcão e Parque São Geraldo recebem esses objetos. Futuramente, a regional do Jardim Redentor também irá atender essa demanda”, afirma.

“Os materiais que não possuem resíduos que podem contaminar o meio ambiente podem ser disponibilizados para a coleta seletiva”, observa Rodrigues. Computadores, impressoras, máquinas de fotocópias e outros equipamentos de informática podem ser acondicionados junto com o lixo reciclável, que é disponibilizado para a coleta seletiva da Semma. Tanto eletrodomésticos quanto aparelhos eletrônicos podem ser entregues diretamente no pátio da Cotramati, no Jardim Redentor.

Na cooperativa, esses equipamentos são desmontados. As partes de metal, plástico e tubulações são separadas e, depois, vendidas como sucata. De acordo com os cooperados, semanalmente são recolhidos cerca de dez equipamentos eletrônicos. “Os tubos de televisores e monitores de computador, por exemplo, são vendidos a empresas especializadas.”

Porém, empresas que possuem grande quantidade de lixo eletrônico devem procurar a Semma para fazer a disponibilização do material. A pasta possui um cadastro de firmas especializadas no descarte adequado do lixo.

Na força

Todo o material eletroeletrônico recebido pela Cotramati é separado. Quando atinge uma certa quantidade, os cooperados desmontam os aparelhos. Mas não pense que o serviço é feito de forma delicada. Como os componentes são comercializados como sucata, para economizar tempo os aparelhos são abertos à força - geralmente, arremessados no chão.

“Nós retiramos o material fino, como fios de cobre, motores, parte elétrica em geral e vendemos. Antes a gente não recebia isso. Mas agora, é um produto a mais para comercializarmos. E o valor que conseguimos com esse material mais fino é maior”, explica o cooperado Valmir Moura, 43 anos, há 13 anos na entidade.

Ele fez uma demonstração para a reportagem com um monitor de computador. Após arrebentar o aparelho, ele separa o gabinete, que vai para a pilha de recicláveis que contém plástico duro. As placas eletrônicas são esmiuçadas. Cada peça é mandada para uma pilha de material diferente. Os fios elétricos e metais vão para outra parte.

A cooperativa busca firmar parceria com empresa que compre os equipamentos inteiros, para desmontá-los e vender suas peças. Dessa forma, os cooperados acreditam que irão conseguir um valor maior do que quebrando e separando os componentes. Alguns eletrodomésticos chegam em condições de uso à Cotramati e os 26 cooperados decidem com quem vai ficar o produto. Quando o eletrodoméstico não tem mais conserto, é desmontado. O motor de uma geladeira é vendido a R$ 5,00, diz Moura. “O resto é vendido como sucata”, afirma.

Seletiva

O diretor do departamento de ações e recursos ambientais, Sidnei Rodrigues, da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) observa que atualmente 70% de Bauru é atendida pela coleta seletiva. Mas a meta é oferecer o serviço para toda a cidade até 2011.

“Já solicitamos a aquisição de três novos caminhões ao prefeito. Nossa meta é estender o serviço para 85% da cidade já no ano que vem, e totalizar em 2011. Se os veículos saírem antes, podemos até fazer 100% de Bauru já em 2010”, afirma.

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Postos para pilha, bateria e lâmpada

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) também mantém vários postos de coletas de pilhas e baterias. Como possuem elementos químicos contaminantes em sua composição, esses objetos são alvo de coleta especial pela pasta.

As pilhas e baterias são compostas por metais considerados perigosos à saúde e ao meio ambiente, como mercúrio, chumbo, cobre, zinco, cádmio, manganês, níquel e lítio. Já as lâmpadas possuem mercúrio.

De acordo com o diretor do departamento de ações e recursos ambientais da Semma, Sidnei Rodrigues, as pilhas e baterias podem ser descartadas em diversos postos espalhados pela cidade.

Ele ressalta que em 2010 passa a valer uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que responsabiliza os fabricantes para que mantenham sistemas de logística inversa para encaminhar esses resíduos para reciclagem.

Já as lâmpadas de uso doméstico devem ser levadas à Semma. Na secretaria é feito um cadastro do morador, que pode entregar gratuitamente 30 lâmpadas no ano.

As empresas devem procurar a Emdurb, que cobra R$ 0,60 por cada lâmpada entregue. Por mês, a empresa recebe de 300 a 500 unidades. Quando reúne 3 mil, é acionada a empresa responsável pela descontaminação das lâmpadas. Após o tratamento do lote, cada estabelecimento que entregou suas unidades recebe um certificado de descarte ecológico.

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Projeto de lei abrange empresas

Um projeto de lei aprovado na semana passada pela Assembléia Legislativa do Estado pode obrigar as empresas que produzem ou importam equipamentos tecnológicos a dar destinação correta a esse lixo. De autoria do deputado Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), o projeto institui normas e procedimentos para a reciclagem, gerenciamento e descarte desse lixo. A proposta já possui o aval da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.

Se for aprovado, quem fabrica, importa ou comercializa produtos eletroeletrônicos será obrigado a adotar práticas que assegurem a reciclagem ou reutilização do material descartado. Na impossibilidade do reaproveitamento, será exigida a neutralização desse tipo de lixo.