Gosto da modernidade, de verdade, mas fico me perguntando: Onde vamos parar? Nessa nossa busca desenfreada por rendimento, por dinheiro, por tempo, resultados, metas, performance, vitórias, conquistas... Esquentamos a concorrência, os motores. Esfriamos o coração. Estou meio piegas, nostálgico talvez, mas estamos ignorando a felicidade em detrimento ao prazer efêmero. Tudo hoje são palavras bonitas, frases estudadas, ações politicamente corretas e tal mas o que sinto é nos distanciarmos cada vez mais da essência humana, de nossas origens universais. Estarei tão errado assim ou é realmente natural pais obedecerem a filhos, alunos calarem professores, descontroladas operações para mudança de sexo, cirurgias plásticas cada vez mais precoces, homens que não querem mais mulheres e mulheres que não querem mais homens. Perdemos o encanto do amor, da paixão, em detrimento ao prazer. Ninguém quer conquistar mais nada. Pega o que é mais fácil. Pais que se superam para dar aos filhos tudo que eles querem sob a desculpa que não quer que seus filhos passem pelo que passaram... Ora, o dia que faltarem, o protótipo de delinqüente vai fazer o quê? Estamos nos encastelando em nossos lares, nos cercando de proteção e andando de carrões, roupas caríssimas... e não queremos que os menos favorecidos ambicionem nos tomar aquilo que não têm e que ficamos exibindo ostensivamente? Acho que está chegando o tempo de refletirmos mais profundamente sobre as conseqüências de nossos atos e tentarmos salvar ainda o que é possível de uma sociedade já deturpada e sem valores reais.
Marco Labão