10 de julho de 2026
Internacional

Recontagem de votos não contém protestos no Irã

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Teerã - Após o maior protesto contra o governo em 30 anos de regime dos aiatolás, que deixou sete mortos ontem, o Conselho dos Guardiães, instância máxima jurídica do Irã, negou ontem o pedido da oposição de se convocar novas eleições.

Depois das acusações de fraude na reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, o conselho decidiu que serão recontados os votos em algumas áreas do país.

“Recontar algumas urnas não muda quase nada o resultado”, reagiu o líder opositor Mir Hossein Mousavi, segundo seu comitê. “Convocar novas eleições é a única maneira de fazer as pessoas ainda acreditarem neste sistema”, afirmou.

Uma nova passeata da oposição, que aconteceria na praça Liderança às 17h, foi cancelada ontem, depois que partidários de Ahmadinejad marcaram uma contramanifestação no mesmo lugar, às 16h.

“Por favor, pela vida de todos, peço que não participem da marcha de hoje (ontem)”, disse mensagem colocada pela manhã de ontem no site de Mousavi. No dia anterior, sete pessoas foram mortas ao final de uma manifestação pró-Mousavi que reuniu pelo menos 1 milhão de pessoas.

Depois de ignorar os protestos por três dias, o telejornal da TV estatal fez uma reportagem sobre o “vandalismo” da oposição e as mortes, e chamou os manifestantes de “criminosos”. Não houve transmissão das imagens do protesto.

Como mensagens de texto por celular e redes sociais da internet continuam bloqueadas, a oposição tem se valido de propaganda boca a boca para organizar novas marchas, como um funeral simbólico aos sete mortos de ontem.

Uma manifestação em frente à sede da TV estatal aconteceu ontem pela manhã e reuniu 20 mil pessoas. Outra marcha tomou a avenida Valy-e Asr, principal via da cidade. Em várias partes do mundo foram realizadas manifestações contra as eleições no Irã.

Imprensa estrangeira

O Irã proibiu ontem jornalistas estrangeiros de deixar suas redações para cobrir os protestos que ocorrem nas ruas de Teerã por causa da controversa eleição presidencial do país. O Ministério da Cultura disse que os jornalistas podem continuar a trabalhar em seus escritórios, mas que estava cancelando as credenciais de imprensa para toda a mídia estrangeira.