09 de julho de 2026
Internacional

Líder iraniano exige fim dos protestos

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Teerã - O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, defendeu ontem a legitimidade da reeleição do presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad e exigiu o fim dos protestos oposicionistas, lançando duras ameaças contra quem insistir em contestar o pleito.

Em seu primeiro pronunciamento desde o início das manifestações pós-eleitorais que paralisam o país e já deixaram ao menos dez mortos, Khamenei se valeu da posição de máxima autoridade iraniana para decretar a “vitória definitiva” do presidente Ahmadinejad. O principal alvo da fala do aiatolá era o candidato derrotado Mir Hossein Mousavi, o ex-premiê reformista por trás do movimento que exige a anulação do pleito por supostas fraudes em favor do presidente.

“Os líderes que têm influência sobre o povo deveriam ficar atentos. Se agirem de maneira extremista, chegarão a um ponto sem volta, e serão responsáveis por derramamento de sangue e caos”, alertou Khamenei.

“A demonstração nas ruas é um erro (...), faremos o necessário para que isso acabe”, afirmou o aiatolá em discurso de uma hora e 40 minutos proferido diante de dezenas de milhares de simpatizantes na Universidade de Teerã.

Horas depois, integrantes da milícia voluntária basiji, comandada pelo líder supremo, foram às ruas uniformizados e com armas de fogo pela primeira vez desde o início da crise.

Até então, os milicianos, responsabilizados pelos ataques a manifestantes antigoverno, estavam vestidos à paisana e armados apenas com cassetes.

As advertências explícitas de Khamenei geram dúvidas quanto à real capacidade de Mousavi seguir adiante com os protestos. Até ontem à noite, o reformista mantinha a convocação para uma megapasseata hoje em Teerã.

Segundo analistas, Mousavi está numa encruzilhada: render-se às pressões para apaziguar os ânimos ou manter a confrontação a um governo notoriamente capaz de uma repressão sangrenta.

No discurso, Khamanei rejeitou acusações de fraude e insistiu em que “o povo votou em quem queria”. “Os mecanismos legais do Irã não permitem erros”, alegou o aiatolá.

Na prática, ele deixou claro que o encontro de hoje entre os três candidatos derrotados na eleição e os juristas da máxima instância constitucional iraniana não mudará os rumos da votação do último dia 12.

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Presidente americano eleva o tom contra reação de Teerã

Washington - O presidente americano, Barack Obama, elevou ontem o tom das críticas à reação do governo iraniano contra os protestos oposicionistas que denunciam fraude na eleição presidencial da semana passada.

O democrata afirmou que a opinião pública internacional sobre o Irã depende em grande parte de como Teerã trata as pessoas que “tentam ser ouvidas de maneira pacífica’’.

Até então, prevalecia no governo americano uma posição cautelosa, cujo propósito era ressaltar que os EUA não pretendem repetir o ocorrido em 1953, quando um golpe da CIA derrubou o então premiê Mohamed Mossadegh.