Pouco mais de 30 dias depois de ser escolhido para chefiar a delegação bauruense nos Jogos Regionais, Amauri Gamba, que cumprira este papel em outras oito oportunidades, não vai mais para Pirassununga com a equipe bauruense. Isso que a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel), por determinações políticas da administração municipal, que tenta se adaptar ao plano de cortes de 20% dos cargos de confiança apresentado recentemente ao Ministério Público, não conseguiu encaixá-lo em um cargo na pasta.
Gamba tem vasta experiência em Jogos Regionais e Abertos e cumpriria funções burocráticas na delegação bauruense. Aos 64 anos de idade, Gamba coleciona 36 participações em Jogos Regionais, a primeira em 1967, oito vezes como chefe de delegação durante vários governos. Ele estava aposentado há cinco anos e, no início do mês passado, recebeu o convite para chefiar a delegação bauruense e disse ter ficado mais de um mês correndo atrás das documentações necessárias para a inscrição das modalidades, trabalhando em casa e aguardando uma posição da Semel sobre sua contratação.
“Fui convidado pela Pollyanna (Teixeira), secretária de Esportes, para assumir o comando da delegação bauruense. Não fui bater na porta da Semel pedir para ser nomeado. Só que eles não conseguiram me encaixar em nenhum cargo. Agora, para eu trabalhar para a Semel, preciso estar nomeado para ter o respaldo da secretaria. O que mais me intriga é que faltou respeito com a minha pessoa. A secretária mandou outra pessoa me ligar para me avisar que eu não seria nomeado”, contou Gamba.
“Só lamento pelos coordenadores das modalidades, que se dedicam de corpo e alma ao esporte e não têm condições mínimas de montar uma equipe competitiva para disputar os Jogos. A Semel é problemática, pois não consegue repassar verba para as modalidades. No meu modo de ver, o que falta é jogo de cintura e habilidade para negociar com o prefeito”, desabafa.
A reportagem conversou com o diretor de Esportes da Semel, Richard Leutz, que explicou que a nomeação de Amauri Gamba foi barrada pela Prefeitura por conta de uma mudança de postura do Poder Público. Fruto da extinção das vagas para nomeação para cargos comissionados, sugerida pela Secretaria de Administração de Bauru. “Nós convidamos o Amauri para chefiar a delegação, mas enquanto aguardávamos a nomeação, a Prefeitura nos mandou algumas medidas para adequação dos cargos. Dentro desta reestruturação não conseguimos encaixá-lo em cargo nenhum”, explicou o diretor.
Nos últimos anos, quem chefiou a delegação bauruense nos Jogos foi Wilson Losilla. Este ano, ele foi encaminhado para cuidar das escolinhas de esportes, cargo para o qual é contratado. Agora, quem vai chefiar a delegação, segundo Richard Leutz, é a própria secretária Pollyanna Teixeira.
Outro lado
Questionada sobre o assunto, a titular da Semel ratificou os esclarecimentos prestados pelo diretor de esportes e acrescentou que o único cargo possível para o preenchimento na pasta seria o de secretaria, que exige atuação interna e, caso fosse preenchido por Gamba, caracterizaria-se um desvio de função. Ela destacou, ainda, que até o momento Gamba não tinha exercido nenhuma função justamente pelo fato de não ter sido contratado. “Toda a parte relacionada às inscrições foram feitas pelo Richard e não foi lhe dada nenhuma função”, afirmou.
Já sobre o fato de não ter ligado para Gamba para comunicar a decisão, Teixeira frisou que o diretor de Esportes tem autonomia para isso. “Não foi nada pessoal contra ele”, reforçou Leutz. Por fim, ele comentou sobre a distribuição de verbas às modalidades. “Estamos conseguindo beneficiar muito mais modalidades que no passado. Muitas querem ter o dinheiro nas mãos para fazer o que bem entender, mas ninguém fala quando a Semel paga as inscrições, taxas de arbitragens, alimentação e anuidade, que se forem colocadas na ponta do lápis daria um total maior do que se recebessem um valor só para todo o ano”, enfatizou.