Barra Bonita - A Hidrovia Tietê-Paraná opera com 20% de sua capacidade de transporte mesmo assim no quadrimestre deste ano teve aumento de 13% no transporte de carga em comparação a 2008. O índice é considerado significativo devido a crise financeira internacional e de previsões de retração na economia. Os números foram apresentados ontem pelo diretor do Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo (DH), Frederico Bussinger, a bordo do navio San Marinho em Barra Bonita (68 quilômetros de Bauru) na 3ª Reunião Itinerante da Frente Parlamentar de Hidrovias.
O seminário discutiu o transporte hidroviário com prefeitos, vereadores, deputado, ambientalistas e empresários da região de Jaú e Bauru.
A hidrovia Tietê-Paraná abriga a primeira eclusa da América do Sul, que possibilita vencer desnível de 26 metros de altura num sistema igual a um elevador de águas que serve para subir ou descer as embarcações. Esse sistema possibilita a navegabilidade de 585 dos 785 km de extensão do Tietê, o único rio que corre no sentido oposto ao mar. No trecho paulista são seis eclusas no Tietê e quatro no rio Paraná.
No ano passado, uma das maiores transportadoras entrou em confronto com Marinha do Brasil devido a multas que recebeu por não respeitar os desdobramentos de comboios próximos a pontes de vão estreito para evitar acidentes. A empresa suspendeu o transporte em represália, reclamando da falta de investimento para melhorar a navegabilidade.
Bussinger disse que a situação foi superada e o impasse não durou 10 dias, mas ontem foi anunciado que serão investidos R$ 49,8 milhões para permitir o tráfego de composições com até quatro barcaças, motivo do imbróglio entre uma das empresas e o DH.
Para eliminar os “gargalos”, serão ampliados os vãos de navegação das pontes da rodovia SP-333 (Pongaí e Novo Horizonte) e SP-425 (Barbosa e José Bonifácio). “A ponte não deu problema, a empresa que criou o problema, mas a situação está superada”, disse Bussinger.
Das 17 pontes que cruzam a hidrovia Tietê-Paraná, oito já tiveram os vãos ampliados. Estas obras reduzem em até duas horas o tempo de viagem e geram uma economia de 20% nos custos de transporte, segundo o DH.
Durante o painel “Proposta de Dinamização da Hidrovia Tietê – Paraná”, Bussinger admitiu que apesar dos números que têm apontado crescimento no transporte de carga a hidrovia não consegue ainda deslanchar como alternativa de transporte menos poluente e econômico.
A Tietê-Paraná tem um transporte unidirecional no sentido oeste-leste e muito fraco no sentido oposto. “Temos uma cultura muito focada no modal rodoviário. Os projetos não levam em consideração a hidrovia”, disse o diretor do DH.
O deputado João Caramez (PSDB), coordenador da Frente Parlamentar das Hidrovias, afirma que é necessário mais atrativos para o setor privado investir no modal hidroviário. Segundo ele, a exploração de 20% da capacidade nominal é insignificante. O transporte é de 20 milhões tonelada/ano, mas tem potencial de subir para até 30 milhões/ano.
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“Investimento em turismo é tímido”
O presidente do Consórcio Intermunicipal Tietê-Paraná (CITP), José Carlos de Mello Teixeira, afirma que o turismo é uma alternativa de geração de recursos aos municípios que estão ao longo da hidrovia, mas ainda o investimento é “tímido” no setor.
Texeira é prefeito de Barra Bonita, município que tem passeios de barco pela eclusa inaugurada em 1973 ao lado da hidrelétrica da AS. “É necessário que os prefeitos acordem, existe potencial muito grande para a exploração do turismo, porém ainda está engatinhando esse investimento”, disse o presidente do CITP, que representa 65 municípios.
Para Teixeira, o investimento de forma isolada é pior para o setor de turismo. “É preciso ter o turismo ao longo da região da hidrovia, porque podemos atrair o turista para as cidades ribeirinhas por mais de dois dias. Para isso é preciso despertar investimentos, principalmente do setor privado”, disse Teixeira.
A falta de política pública no setor portuário tem dificultado os investimentos privados, na opinião do presidente do consórcio. Ele cita que ao navegar ao longo da hidrovia nota-se que são poucos os locais para ancorar com tranquilidade. “Não têm locais para abastecimento de combustível e alimentação. Para o setor privado investir é necessário uma condição mínima portuária, que seria atracagem e abastecimento”, disse o presidente do consórcio.
O coordenador da Frente Parlamentar das Hidrovias (FPH) deputado João Caramez (PSDB), reconhece que a hidrovia ainda não é usada para turismo e lazer, necessitando de investimentos na infra-estrutura portuária.