08 de julho de 2026
Política

PT prepara campanha de 2010

Aurélio Alonso
| Tempo de leitura: 3 min

O Partido dos Trabalhadores (PT) trouxe ontem de manhã ao auditório da Instituição Toledo de Ensino (ITE) de Bauru as suas principais lideranças nacional e estadual na Caravana Estadual 2009, uma mobilização para atrair a militância partidária e prepará-la para a eleição de 2010. No foco também está a “desconstrução” do governo de José Serra (PSDB), provável adversário que disputará a eleição a presidente da República com os petistas.

Encontro semelhante ocorreu também ontem à tarde em Marília. No “palanque” havia nomes de expressão nacional como os senadores Aloizio Mercadante, Eduardo Suplicy, os deputados federais José Genoino, Arlindo Chinaglia, João Paulo Cunha, os deputados estaduais Rui Falcão, Vicente Cândido, Marcos Martins e a ex-prefeita Marta Suplicy.

Apesar dos discursos de unificação partidária para enfrentar o que os petistas definem como “eleição dura”, o partido não tem ainda um nome forte para disputar a sucessão estadual, mas já consolidou como virtual candidata à sucessão de Lula a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

O ex-ministro José Dirceu (PT) defendeu a candidatura do ex-governador do Ceará e deputado federal Ciro Gomes (PSB) na sucessão ao Palácio dos Bandeirantes aliado ao PT, mas o deputado estadual Rui Falcão deixou claro que essa questão é controvertida.

Na opinião dele, o partido tem que construir uma candidatura própria na sucessão paulista, porque vê num eventual apoio a Ciro, do PSB, na cabeça de chapa, como um enfraquecimento do PT na negociação nos palanques estaduais para a eleição presidencial.

A sucessão ao governo paulista divide opiniões porque até o presidente Lula tem preferência no apoio ao ministro Antonio Palocci, mas o próprio Rui Falcão afirmou que isso não significa que o presidente vai impor este nome na sucessão. “O Lula pode indicar, nós respeitamos, mas o partido será ouvido, declarou.

A ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy admitiu que defende a candidatura do ex-prefeito Antonio Palocci ao governo estadual caso ele consiga a absolvição do processo do qual é acusado de envolvimento na quebra do sigilo fiscal do caseiro Francenildo Costa, cuja ação está para ser julgada no Supremo Tribunal Federal (STF) e o derrubou do cargo de ministro da Fazenda. Palocci é deputado federal, por isso tem direito a foro privilegiado.

Um dos cogitados também para disputar a vaga ao governo estadual é o atual prefeito de Osasco, Emídio de Souza, que esteve em Bauru. Ontem, por exemplo, partidários com camisa preta circularam com referência ao nome dele como candidato do partido ao governo paulista. A assessoria negou que a iniciativa partiu do prefeito.

Emídio de Souza rechaça Ciro Gomes como candidato a governador, com o PT num segundo plano (leia texto nesta página)

Só o nome de Dilma Rousseff foi unanimidade como candidata na sucessão de Lula, batizada de “busca do terceiro mandato” e de continuidade ao projeto político petista.

O governo José Serra (PSDB) foi alvo de várias críticas, principalmente quanto à área de segurança pública, educação e penitenciária. “Vamos acabar com os três Ps: penitenciária, pedágio e privatização”, bradou o deputado Marco Martins.

Marta Suplicy é quem deu o mote de que é preciso “desconstruir” a imagem do governo tucano de “bom gestor”. “Educação é um vexame, os policiais têm os piores salários e esse governo só sabe construir penitenciárias”, disse Marta. Na sucessão de Lula, a ex-prefeita defendeu a candidatura de Dilma Rousseff.

O presidente do diretório estadual, Edinho Silva, disse que a caravana é para mobilizar o partido para discutir a situação da educação, saúde, segurança pública do governo estadual e também debater com a militância as iniciativas do governo Lula no enfrentamento da crise.