08 de julho de 2026
Geral

Negócio próprio, entre sonho e pesadelo

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Nos primeiros cinco meses deste ano, em média, cinco empresas foram abertas em Bauru por dia. O número demonstra uma realidade cada vez mais pulsante no cotidiano das pessoas: a expectativa de ter um negócio próprio. Ao tornar-se patrão, é possível não só afastar a incômoda subordinação ao chefe, como conviver mais proximamente com a idéia de sucesso, realização e enriquecimento. Mas qualquer ação implica num risco. Como, então, não transformar o sonho em pesadelo?

Guias, manuais e cartilhas estão cada vez mais acessíveis aos interessados. Seja qual for o passo a passo recomendado, eles não fogem muito dos dez tópicos estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), utilizados pelo Sebrae. Pregam, por exemplo, a busca por oportunidades e informações, planejamento sistemático, rede de contatos e autoconfiança (leia quadro acima). Ao estudar o mercado e calcular riscos, a chance de dar certo aumenta. Como a prática é cada vez mais usual, a taxa de mortalidade verificada pelo Sebrae é decrescente nos últimos anos.

Diariamente, em média, 1,5 empresas fecharam as portas na cidade, nos primeiros cinco meses de 2009, segundo dados da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) Regional Bauru. Estão mais vulneráveis os empreendedores por necessidade. É o caso daqueles que abrem o próprio negócio porque perderam o emprego e precisam de outra fonte de renda. Não é raro investirem no ponto quase tudo o que receberam em indenizações trabalhistas. Pouco sobra em capital de giro e quase nada de provisão para períodos de ‘vaca magra’.

Mas inclusive investidores - empreendedores por oportunidade - correm risco semelhante, especialmente quando não acompanham a rotina da empresa. Neste caso, é irrefutável a máxima ‘quem engorda o boi é o olho do dono’. E não faltam exemplos bem sucedidos em Bauru. Grandes, médios e micro empresários contam suas respectivas trajetórias. Independentemente do tamanho, são unânimes em dois aspectos.

Primeiro deles: suar muito a camisa é necessário. O segundo também exige grande dose de realismo. Normalmente, o negócio leva ao menos dois anos para dar retorno.

O convívio com o risco pode ser minimizado de algumas formas. Optar por franquias pode ser uma delas. Ao decidir abrir uma, normalmente a análise de mercado é oferecida pela rede. O serviço é cobrado e não exclui estudo por parte do novo empreendedor. E como em qualquer área da vida, existem as boas e as más.

Uma outra alternativa para os interessados menos abastados, cientes de que as retiradas serão mínimas inicialmente, é manter um emprego simultâneo. Neste período, exercem o papel de patrão e trabalhador - sendo o último, atualmente, já associado à idéia de comodismo. Curioso é que o perfil empreendedor também já é exigido dos que apenas vendem força de trabalho. Não por acaso, o termo intrepreneurship vem conquistando espaço.

Significa intra-empreendedorismo - estímulo desenvolvido pelas empresas para que funcionários tenham visão, atitude e comportamento empreendedor nos negócios e estejam envolvidos nas atividades das empresas. Tem quem prefira desenvolver tal comportamento na segurança de um emprego formal. De tão difundida, a iniciativa empreendedora já é vista como necessária até dentro de casa. Nela ou fora dela, certo é que empresários e trabalhadores são imprescindíveis para o sistema.