Brasília - O procurador do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), Marinus Marsico, vai pedir informações ao Senado a respeito do desvio de função do servidor Amaury de Jesus Machado. Conhecido como "Secreta", Machado é do quadro efetivo da Senado, mas em vez de prestar serviço à instituição, trabalha há vários anos na casa da ex-senador e governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB).
O procurador informou que o procedimento diante desse caso será o mesmo adotado com relação ao pagamento de horas extras no período de recesso do Senado ou de outras denúncias relacionadas ao Legislativo. Após obter informações, ele vai analisar se está configurada irregularidade. Em caso positivo, vai requerer ressarcimento pelos salários pagos sem a devida prestação de serviço à instituição.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), por sua vez, defendeu ontem “normas mais rigorosas” no Senado para evitar que servidores da Casa venham a exerçam funções alheias a seus contratos de nomeação. Defendeu igualmente a contratação de uma investigação externa para apurar a denúncia sobre o funcionário Amaury de Jesus Machado, além de outras irregularidades identificadas nos últimos meses.
Os dados dessa apuração, segundo ele, vão mostrar quais são as medidas imprescindíveis para dar transparências aos atos administrativos do Senado. “É tudo muito estranho, mas como tenho receio de fazer um prejulgamento, aguardarei respostas concretas sobre o que realmente ocorreu”, afirmou, referindo-se ao caso do mordomo.
Para o senador, as medidas adotadas até agora pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que criou várias comissões internas para investigar as denúncias, não resolverão o problema de falta de transparência da Casa.