Após deter, anteontem, cinco imigrantes chineses que entraram ilegalmente no Brasil, a Polícia Federal (PF) de Bauru irá apurar a existência de uma possível quadrilha especializada em aliciar pessoas para trabalhar como mão-de-obra barata no País. De acordo com o delegado Emanuel Ferreira de Almeida, além dos três brasileiros que acompanhavam os estrangeiros, pelo menos mais uma pessoa de São Paulo – que teria contratado o transporte dos asiáticos – já está sob investigação da polícia.
“Instauramos um inquérito e estamos realizando diligências para identificar outras pessoas que participaram do delito. Pelas informações que temos, esses chineses vêm para o Brasil para trabalhar, principalmente, em fábricas de São Paulo e, muitas vezes, em situação de semi-escravidão”, acredita o delegado. Segundo ele, a maioria dos imigrantes chega ao País recrutada para o trabalho em indústrias de confecções cujos proprietários também têm origem chinesa.
Eles cumpririam jornadas com carga horária além da permitida por lei e não teriam garantia de direitos trabalhistas. “Por esse motivo, o alvo da nossa investigação não são os chineses que entram ilegalmente para trabalhar, mas aqueles que os introduzem no território nacional com esse objetivo”, acrescenta.
Anteontem, Ruan Pengfei, Li Zizheng, Huang Xianzhong, Xu Haiyan e Hon Shian seguiam em um Golf com mais três brasileiros pela rodovia Marechal Rondon e foram abordados pelo Policiamento Rodoviário por volta das 4h30, na altura do quilômetro 338, em Bauru. Pela falta de um intérprete, os chineses não foram ouvidos formalmente, mas a suspeita é de que eles tenham chegado à América do Sul pelo Equador e percorrido, por terra, o Peru e a Bolívia, entrando no Brasil pelo Mato Grosso do Sul. De Campo Grande, eles seguiriam até a capital paulista.
De acordo com Almeida, é possível que Bauru tenha se tornado rota para o tráfico de mão-de-obra chinesa após a Polícia Federal ter deflagrado a Operação Da Shan, no final do mês passado. Com o objetivo de desarticular uma quadrilha especializada em introduzir ilegalmente cidadãos chineses no território brasileiro, os policiais prenderam 14 pessoas em Rondônia, por onde os imigrantes costumeiramente ingressavam no País.
“Por conta da repressão naquela região, acreditamos que eles encontraram essa rota por Bauru como alternativa para fugir da fiscalização”, avalia o delegado.
Naturais de Campo Grande (MS), Ponta Porã (MS) e Medeiros Neto (BA), os brasileiros detidos anteontem foram indiciados por crime de introdução clandestina de imigrantes no País, cuja pena prevista é de um a três anos de detenção. Eles foram ouvidos e, após pagarem fiança de R$ 400,00, cada um, responderão processo em liberdade. Os chineses foram notificados a deixar o País em três dias, sob pena de serem deportados.