09 de julho de 2026
Geral

Bauru enfrenta surto de conjuntivite

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 2 min

Olhos vermelhos, doloridos, coçando e lacrimejando. Este é o quadro clínico de mil pessoas que passaram pelo Hospital de Olhos de Bauru na semana passada e foram diagnosticadas com conjuntivite. Em semanas comuns, a instituição atende cem pacientes com a doença. O aumento, embora seja comum no inverno, tem causado estranheza por parte dos médicos.

“Normalmente no inverno, a lágrima fica alterada para compensar a baixa umidade do ar e a baixa temperatura e isso aumenta as chances das pessoas se infectarem, o que torna a doença mais freqüente nesta época. Mas neste ano isto está mais freqüente do que o normal. Aumentou a incidência da doença”, diz o médico oftalmologista Fabiano Alves Neves.

O Pronto-Socorro (PS) Central de Bauru também tem atendido muitos pacientes com conjuntivite. “O pessoal que está atendendo aqui (no PS) me disse realmente que aumentou bastante, que tem aparecido muitos casos de conjuntivite. Não sei dizer em porcentagem quanto foi, mas nesta época, de entrada de inverno, aparece muita conjuntivite mesmo”, diz Luiz Antonio Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde.

No ano passado, a Secretaria de Saúde registrou 1.151 casos de conjuntivite nas unidades básicas de saúde e prontos-socorros de Bauru, sendo 135 no primeiro trimestre. No mesmo período deste ano foram registrados 264 casos. Para os oftalmologistas, os vírus e as bactérias estão cada vez mais fortes, o que estaria colaborando para o aumento dos casos mais resistentes da doença.

“A virulência das bactérias e dos vírus está cada vez maior. As conjuntivites estão aparecendo cada vez mais violentas. Está cada vez mais difícil tratar com os remédios tradicionais”, explica Neves. Ele desconfia que o fortalecimento dos microorganismos causadores da doença está intimamente ligado à automedicação por parte da população.

“A maioria da população acha que conjuntivite não é doença grave e que colírio não é remédio, é uma água para pingar no olho. Quase todas as pessoas que atendo já passaram na farmácia antes e só procuram um médico quando a situação piorou. O tratamento incorreto em larga escala auxilia a doença a se propagar e é uma porta aberta para a bactéria ficar mais resistente”, ressalta.

A conjuntivite é uma inflamação da membrana conjuntiva que reveste o globo ocular e as pálpebras. Sua transmissão acontece por contato, ou seja, a pessoa contaminada leva a mão aos olhos e depois pega em alguns objetos, e, em seguida, outro indivíduo toca neste objeto e leva a mão ao olho, contraindo a doença. O ato é praticamente involuntário, uma vez que a doença causa coceira e, por isso, os médicos recomendam que os pacientes com conjuntivite não freqüentem ambientes com aglomeração de pessoas.

“Normalmente a gente recomenda que a pessoa não vá para a escola ou para o trabalho porque a conjuntivite coça e, inevitavelmente, essa pessoa vai tocar o olho e acabar transmitindo”, finaliza Neves.