Teerã - A polícia pôs fim a um protesto em Teerã, ontem, horas depois de a Guarda Revolucionária anunciar que iria esmagar qualquer nova resistência dos “agitadores”. Ainda assim, em um gesto de desafio adotado pela primeira vez na Revolução Islâmica de 1979, e agora assimilado pelos manifestantes pró-reforma, pessoas novamente gritaram “Allahu Akbar” (Deus é Grande) do alto de suas casas no cair da noite.
Testemunhas e partidários do líder oposicionista Mirhossein Mousavi haviam se reunido anteriormente na praça Haft-e Tir, em Teerã. Mas a TV estatal iraniana informou que eles foram dispersados depois da chegada das forças de segurança. Moradores disseram que a polícia antidistúrbios, incluindo muitos agentes em motocicletas, e membros da milícia religiosa Basij estavam em peso nas ruas.
Uma testemunha disse ter visto da sacada de sua residência um grupo entoando slogans ser atacado pela Basij, que retirou à força os manifestantes de uma casa próxima para onde tinham fugido. “Os milicianos estavam muito agressivos e praguejaram para que eu entrasse em casa”, disse a testemunha.
O comunicado divulgado ontem pela Guarda, vista como a força mais leal ao regime clerical, claramente indicou uma repressão a qualquer nova agitação motivada pela reeleição do presidente conservador Mahmoud Ahmadinejad. “Na atual situação sensível, a Guarda vai entrar firmemente em confronto de modo revolucionário contra agitadores e aqueles que violarem a lei”, disse o comunicado no site da Guarda.
Oficialmente segundo colocado na eleição vencida por Ahmadinejad em 12 de junho, o oposicionista Moussavi, que considera que a eleição foi fraudada, pediu na noite de anteontem novas manifestações de seus partidários. O chefe do comitê judiciário do Parlamento, Ali Shahrokhi, disse que Moussavi deveria ser processado por “manifestações ilegais e emissão de comunicados provocativos”.
As autoridades rejeitam as acusações de fraude, mas um porta-voz do Conselho dos Guardiães, o principal órgão legislativo iraniano, que examina as queixas dos candidatos derrotados na eleição, admitiu que o número de votos superou o de eleitores aptos em alguns distritos eleitorais. Mas ele afirmou que “o número total de votos nesses distritos não excedia 3 milhões e, portanto, não teriam impacto na eleição”. O candidato moderado derrotado Mehdi Karoubi repetiu nesta segunda-feira seu pedido de realização de uma nova eleição. “Em vez de perder tempo recontando algumas urnas... cancelem a votação”, disse ele em uma carta ao Conselho dos Guardiães.