10 de julho de 2026
Articulistas

Desonerar a produção ou dar dinheiro aos pobres?

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Sem dúvida alguma, o presidente Lula é um grande comunicador. Fala de maneira que atinge em cheio o grosso da população. Talvez aí esteja a justificativa de parte de sua grande popularidade. Foram inúmeros momentos durante seus dois mandatos em que o presidente conseguiu driblar crises e desviar o foco dos problemas. Esses momentos foram desde o mensalão, passando por denúncias envolvendo seus familiares, pela crise do PT, até mesmo a crise internacional, e agora chega ao “conflito”: incentivar setores que foram afetados com a crise, retirando parte dos tributos ou canalizar recursos diretamente aos pobres. Observaram como ele fala diretamente ao povo mais simples, sem intermediários, sem interlocutores?

Imagine a reação de alguém que está desempregado, sem recursos para sustentar a família. Sem dúvida, dirão: “Este é o nosso presidente, dando dura do meio empresarial”, com o diz a moçada: “Esse é o cara”. Evidentemente que a fala dele tem um propósito: alertar o meio empresarial que não adianta reduzir a carga tributária dos produtos se esta redução não chegar ao preço final, na ponta do comércio. Mas a prática aponta que os setores, para sobreviverem, não têm outra alternativa senão a de reduzir os preços. É o caso da indústria automotiva que está viva em função da desoneração fiscal. Mesmo a linha branca vem garantindo volume de vendas em face da queda dos tributos.

Em sã consciência, dificilmente um segmento deixaria de repassar a queda em seus custos aos preços finais só para aumentar a margem de lucro, sabendo que, com o preço mais elevado, as vendas cairão. Então, quem será que o presidente Lula quis atingir? Penso que ninguém diretamente. Ele quis mesmo é marcar presença, quis falar o óbvio, que é distribuir recursos públicos diretamente às pessoas, prática, aliás, comum neste governo através das “bolsas” implementadas nesses últimos anos.

Observem que a colocação tem pouca praticidade. Atingiria quem? Com qual critério? Em que volume? De onde viriam os recursos? O que é preciso considerar é o tamanho que o Estado brasileiro está tomando. Gastos com crescimento, empreguismo, corrupção, desvios, falta de qualidade nos gastos públicos, baixos investimentos, enfim, uma verdadeira bomba relógio que explodirá no próximo governo.

O Lula gosta mesmo é de sofismar. E de sofisma em sofisma vai aumentando sua popularidade. Desonerar a produção ou dar dinheiro aos pobres? Quem quer vida digna, sabe que tem que ser o senhor de seu destino, portanto, não quer esmola, quer trabalho. A resposta cada de um de nós já sabe.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista e articulista do JC