10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Dr. Gadelha, à frente de seu tempo...


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Neste momento de dor para os familiares, amigos e admiradores do dr. José Renato do Valle Gadelha, que nos deixou no último dia 18, não posso deixar de registrar, além de minha gratidão em nível pessoal, o reconhecimento por suas realizações em prol da comunidade, não apenas do setor elétrico, onde atuava profissionalmente e era respeitado nacionalmente. Em B auru e região, se destacou pela liderança, criatividade, ousadia, pioneirismo e empreendedorismo, como podemos constatar pela pequena amostra do legado que deixou, nas áreas técnica, cultural, social e educativa: um dos precursores da Faculdade de Engenharia, ao lado de outros ilustres companheiros do Lions Centro; notável presidente da Fundação Educacional de Bauru - FEB (atual Unesp); pioneiramente, fundou e presidiu o Instituto Cultural Brasil Estados Unidos (ensino de inglês e intercâmbio cultural); um dos fundadores e presidente da Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos - Assenag; destacado membro da Maçonaria; implementou com sucesso um programa de cadastramento e efetiva eletrificação rural, visando fixar o homem ao campo. Sua generosidade era notória e procurava oferecer oportunidades e orientar as pessoas para sua evolução profissional. Eu fui um desses agraciados.

A CPFL sempre exerceu em mim um acentuado fascínio, já que em parte de minha infância esperei o milagre da eletricidade na casa de meus pais. O sonho de ingressar na Cia e envidar ações para não deixar nenhuma família sem luz, consolidou-se, fruto de processo seletivo, em 1972. À época, após a fase escrita, a entrevista derradeira pôs-me frente a frente com o consagrado Regional de Bauru, dr. Gadelha, responsável por 52 cidades. A meu favor, pesava o fato de estar empregado na multinacional Texaco há oito anos, e ser graduado no curso de engenharia de curta, tecnologia elétrica, idealizado e implantado pelo próprio dr. Gadelha, quando presidente da FEB e cursar o 4º ano de engenharia plena. Ousado, apesar de minha idade (22 anos), o dr. Gadelha confiou-me a gerência do recém-criado setor técnico de 14 cidades, com sede em Marília (mais de 100 empregados). Ao longo da entrevista, com autoridade, postura decisiva e objetiva, após fornecer uma lista de livros voltados à tomada de decisão, fez várias recomendações que foram paradigmas para o meu desenvolvimento profissional e pessoal. Destaco algumas: “A filosofia da CPFL não é só fornecer eletricidade, mas também participar da comunidade em que está inserida; A Cia. não é uma empresa pública e sim prestadora de serviço público; Não se vende eletricidade ficando através da mesa, nem só andando no asfalto; um bom comandante tem ética, não é dissimulado e nem usa meias verdades; nunca use frases que suscitem dúvidas, ao falar de um fato concreto, tipo: talvez....; acho que é...; penso que...”

Em 1987, ocupando cargo gerencial em Campinas, o primeiro telefonema saudando-me pela ascensão à Regional de Bauru foi do dr. Gadelha, já aposentado. Em Bauru, estimulou e apadrinhou o meu ingresso no Lions Centro. No período que atuei na Prefeitura, o dr. Gadelha demonstrou solidariedade e forneceu-me sugestões para a gestão energética municipal, bem como para as medidas adotadas no período do apagão, em 2001. Por tudo isso, o fascínio que eu tinha pela CPFL transferiu-se para seu ilustre dirigente: dr. Renato Gadelha.

Braz Melero - CREA-34380 e CRA 24428 - foi regional da CPFL e presidente da Cohab