11 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: Tadeu, o contador de “histórias fantásticas”


| Tempo de leitura: 3 min

Lá estávamos nós, em Porto Morrinhos no Mato Grosso do Sul, no aconchegante Rancho Bauru, às margens do lendário rio Paraguai. Na foto ao lado, pela ordem, Tadeu, mui falante e mais conhecido como “enciclopédia ambulante” pelos conhecimentos que formam seu arquivo mental. Niltinho, mais tranquilo e sossegado do que filho de deputado corrupto. Maurício, conhecido popularmente como “guarda-livros”, que mal aparece na foto (abaixo), fazendo o “V da vitória” na cabeça do Cabral. Cirilo Messias, grande gozador, mais gozador do que pescador. Fernando Lucilha, este que vos escreve, apaixonado pela pesca e, por fim, sentado na maior folga, o nosso jovem Cabral, que não descobriu o Brasil, mas conhece muito bem o “caminho das índias”!

Seria uma pescaria normal, não fora o episódio narrado pelo nosso grande amigo Tadeu. Foi assim... Saímos todos para a pesca, menos o Tadeu, que não estava muito a fim. Ficou sozinho no rancho, exposto aos perigos que o Pantanal oferece.

Quando de nossa volta, o susto! Tadeu estava pálido, com a roupa rasgada, ofegante e todo molhado! - O que aconteceu, você está bem? - gritamos todos juntos.

- Vocês não vão acreditar!

E começou a falar... - “A solidão e o silêncio de ter ficado só me levaram a armar uma linhada com linha 80, tendo como isca uma piranha inteira que, despretenciosamente, atirei ao rio. A calma das águas mansas do belo rio Paraguai me trazia uma paz momentânea. Aconcheguei-me na cadeira de balanço junto à margem segurando a linhada e quase adormeci. Repentinamente, a linha esticou e puxou rio adentro com tanta força, que me arrastou com cadeira e tudo! Que desespero, cara!

Deu tempo de pegar um facão que estava na cadeira, pensando em cortar a linha. A água já passava de minha cintura e eu segurando a linha com uma mão e na outra, o facão. O rio começou a borbulhar, a água ficou agitada e eu vi que tinha fisgado uma sucuri enorme! A cobra gigante se contorcia toda, jogando água pra tudo que era lado e veio pra cima de mim com aquele bocão aberto! Com o facão, acertei a cobra, cortando a bitela ao meio!

Não é que a bandida tinha engolido um jacaré inteiro! E o pior: o sangue na água atraiu as piranhas. Foi um Deus nos acuda! Com a água no peito, dançando mais que o Fred Astaire, comecei a golpear as piranhas para fugir das mordidas! A linha tinha sumido, pois o rio levou tudo, a cobra dividida em duas partes e o jacaré mortinho, todo amassado, coitado!

As piranhas foram atrás deles, graças a Deus, e assim pude retornar à margem, esbaforido e sem forças. Pensam que acabou? Pra completar a loucura, já fora do rio, dei de cara com um lindo e assustador urso polar branco, de 2 metros de altura que, graças a Deus, fugiu para o mato sem me atacar.”

Ficamos todos com aquela cara de “conta outra, Tadeu”! Foi aí que eu falei por todos : - Ô Tadeu, peraí, peraí! Você fisgou a sucuri, que engoliu o jacaré e que atraiu as piranhas. Até aí tudo bem, pois são habitantes do Pantanal. Agora, um urso polar branco por estas bandas já é demais!

Pasmem com a resposta do Tadeu: - É verdade, concordo pessoal, pois antes dele sair correndo, peguei o urso pelas orelhas e falei: o que é que você tá fazendo aqui, rapaz!!! O Tadeu quase foi linchado, mas a pescaria acabou bem!

Fernando Lucilha é pescador e contador de histórias