11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Integração internacional deve começar ‘dentro de casa’, prega embaixador

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 2 min

A chave da integração internacional está no “descobrimento do próprio Brasil”. Essa é a fórmula pregada pelo embaixador Jeronimo Moscardo, presidente da Fundação Alexandre de Gusmão, órgão cultural ligado ao Ministério das Relações Exteriores, em visita ontem a Bauru, durante palestra ministrada na sede local do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

No evento, dirigido a empresários e representantes do Serviço Social da Industria (Sesi) e Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o embaixador, que foi ministro da Cultura no governo Itamar Franco, se disse impressionado com o Interior do Estado de São Paulo, fato que, disse, o fez mudar o cronograma da palestra. “Eu tinha algo escrito, mas resolvi contar o que vi nestes dias no Interior paulista. Morei no mundo todo, mas essa região é um orgulho para todo brasileiro, não apenas no setor industrial, mas cultural também”, enaltece o ex-ministro.

Com um currículo de respeito no âmbito da diplomacia internacional, representou o Brasil em importantes instituições, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e Organização dos Estados Americanos (OEA), em nações como Estados Unidos, antiga União Soviética, Bélgica e Romênia. “Como poderemos integrar os países da América do Sul se não conseguimos nos integrar entre os diferentes Estados?”, indaga o embaixador. Ele sugeriu, na palestra, uma corrente liderada por São Paulo na busca por desenvolvimento econômico e cultural da Nação com base no tino de gerenciamento da população paulista.

Referência em diversos países em virtude dos trabalhos que desenvolveu frente às embaixadas e organizações internacionais -foi o “Embaixador do Ano”, por dois anos, na Bélgica -Moscardo teve a palestra em Bauru também prestigiada pelo vice presidente da Ciesp, José Eduardo Mendes Camargo, e pelo diretor do conselho na cidade, Domingos Malandrino.

“Ele (o embaixador) como representante do ‘braço cultural’ do Itamaraty desenvolve um importante trabalho de ir em direção às pessoas”, enaltece Camargo, que diferencia Moscardo pela postura de não se prender ao ar-condicionado dos gabinetes. “Sua forma de atuar revolucionou a diplomacia, desde a criação de ‘embaixadas voluntárias’ na Europa, em plano de ação desenvolvido em conjunto com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), até levando o Carnaval brasileiro para a Romênia”, recorda Camargo, que também cita um dos maiores ensinamentos do embaixador. “Essa frase dele define muito o que é ser um bom diplomata: ‘todo brasileiro é um embaixador nato”, sintetiza.