09 de julho de 2026
Internacional

Para Ahmadinejad, Obama repete Bush

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Washington - O presidente reeleito do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, acusou ontem o mandatário americano, Barack Obama, de agir como o antecessor, George W. Bush, e interferir em assuntos internos iranianos. Obama se dissera “estarrecido” e “horrorizado” com a violenta repressão aos protestos da oposição.

“O senhor Obama cometeu um erro ao dizer aquelas coisas. Me pergunto o porquê de ele ter caído na mesma armadilha e dito coisas que Bush dizia”, disse Ahmadinejad na inauguração de fábrica petroquímica, segundo a agência oficial Fars.

“Se esse é o tom que quer empregar, então não há sobre o que conversar”, afirmou, em referência aos acenos de Obama pela retomada do diálogo com o Irã. “Espero que deixe de interferir e se desculpe.”

A acusação foi rejeitada pelo governo americano. Segundo o porta-voz, Robert Gibbs, Obama já ressaltou que dirigentes iranianos atribuíram aos EUA papel em crises. “Incluiria Ahmadinejad nessa lista”, disse.

Desde que assumiu a Casa Branca, em janeiro, o americano tenta uma aproximação com o Irã, visando sobretudo abrir diálogo sobre seu programa nuclear, suspeito de visar a bomba atômica - o que Teerã nega.

Após a reeleição de Ahmadinejad - com 62,7% dos votos, contra 33% do reformista Mir Hossein Mousavi - no pleito do dia 12, e a repressão a opositores que se seguiu, Obama vinha mantendo cautela. Na última terça, no entanto, subiu o tom.

EUA e Irã mantêm relações tensas desde a tomada de poder pelos religiosos xiitas iranianos, em 1979, com a derrubada do xá Mohamad Reza Pahlevi, que tinha apoio americano. Os dois países cortaram relações diplomáticas no mesmo ano, quando estudantes invadiram a embaixada americana em Teerã e deram início a uma ocupação, com reféns, que durou 444 dias. Apesar dos protestos, e dos 20 mortos - segundo cifras oficiais -, o regime teocrático já reiterou que não revisará o resultado, como quer a oposição.

Mais protestos

Partidários de Mousavi prometem para hoje, segundo site do opositor, o lançamento de milhares de balões verdes em homenagem à iraniana cuja morte, flagrada, transformou-se em ícone da resistência.

Mousavi pediu aos iranianos, pelo site, que não arrefeçam as pressões, mas “dentro da lei”. Em tom inusualmente crítico, disse que não desistirá de contestar o pleito e acusou Teerã pelo derramamento de sangue.

Atribuindo a informação a um site em farsi, o “New York Times” disse que Mousavi - que não é visto desde terça - está sendo mantido em prisão domiciliar. Ontem, 70 acadêmicos que tiveram encontro com o reformista foram presos. Segundo jornal ligado aos reformistas, cem deputados faltaram a uma celebração da vitória convocada por Ahmadinejad, entre eles o presidente da Casa, Ali Larijani, e adjuntos.

Já o grão-aiatolá Hossein Ali Montazeri, adversário do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, disse que a repressão aos protestos pacíficos da oposição pode “comprometer qualquer governo, por mais forte que seja”.