09 de julho de 2026
Internacional

Irã: Conselho diz que votação foi ‘saudável’

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Teerã - O Conselho de Guardiães, órgão legislativo sob o comando do líder supremo do Irã e responsável por ratificar o resultado da eleição, afirmou não ter encontrado nenhuma evidência de fraude e que a votação do dia 12 de junho, que reelegeu o controverso presidente Mahmoud Ahmadinejad, foi a mais “saudável” desde a Revolução de 1979.

“O Conselho quase acabou de revisar as queixas dos candidatos derrotados. Esta revisão mostra que as eleições foram as mais saudáveis desde a revolução. Não há irregularidades importantes”, afirmou Abbasali Kadkhodai, porta-voz do Conselho, citado pelo jornal espanhol “El Pais”.

O Conselho recebeu 646 queixas de irregularidades na eleição de 12 de junho, apresentadas pelos três candidatos reformistas derrotados por Ahmadinejad, que obteve cerca de 63% dos votos. A análise do Conselho apontou que ao menos 50 das 170 cidades analisadas tiveram mais votos que eleitores, um número que chega a 3 milhões de votos irregulares.

O Conselho, sob comando do aiatolá Ali Khamenei, que defendeu a reeleição de Ahmadinejad e criticou duramente os protestos da oposição, afirmou que o número não é suficiente para anular o resultado do pleito já que o presidente teve 11 milhões de votos a mais que o principal líder da oposição, Mir Hossein Mousavi.

Novos protestos

Os simpatizantes de Mousavi planejavam soltar milhares de balões ontem com a mensagem “Neda, você sempre estará em nossos corações”, em memória a Neda Agha Soltan, a jovem morta na semana passada que se tornou um dos ícones das manifestações.

Khatami disse que Neda foi morta pelos próprios manifestantes para propósitos de propaganda. “Ao assistir o filme, qualquer pessoa inteligente vê que os baderneiros a mataram”, disse.

O jornal britânico Times citou o médico Arash Hejazi, que aparece em vídeos divulgados na Internet ajudando Neda, ecoando as acusações da oposição de que a estudante de música de 26 anos foi morta por um miliciano do governo. Hejazi, depois dos protestos fugiu para a Grã-Bretanha.

Obama não leva a sério

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, esnobou ontem as duras críticas do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que o comparou com o antecessor republicano George W. Bush e pediu um pedido de desculpas públicos. Ao lado da chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, em entrevista coletiva na Casa Branca, Obama afirmou que não levou a sério.

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G8 pede que Irã ‘reflita vontade do povo’

Roma - Os ministros de Relações Exteriores do G8 (grupo que reúne oito das maiores economias mundiais) pediram ontem o cessar imediato da violência no Irã, em uma declaração final assinada em Trieste (norte da Itália) e apresentada à imprensa pelo ministro italiano, Franco Frattini.

Os ministros pediram ainda que as autoridades iranianas garantam que o resultado da eleição presidencial no país, que reelegeu o controverso presidente Mahmoud Ahmadinejad sob acusações de fraude da oposição, “reflita a vontade do povo iraniano”.

A declaração foi resultado das negociações entre os países, como França e Itália, que queriam enviar uma mensagem dura ao Irã para que encerre a violência na repressão dos protestos da oposição - que já deixou 20 mortos, segundo números oficiais - e a Rússia, que apoiou publicamente a reeleição de Ahmadinejad. “Nós expressamos nossa solidariedade com aqueles que sofreram repressão enquanto protestavam pacificamente e pedimos ao Irã que respeite os direitos humanos, incluindo a liberdade de expressão”, diz o texto.

Rússia

A Rússia, que ao lado da China parabenizou Ahmadinejad pela vitória na eleição, disse na sexta-feira que está bastante preocupada com o uso da força no Irã.

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Para presidente Lula, oposição pauta mídia

Itajaí - Depois de ter sido um dos poucos líderes ocidentais a defender que a eleição iraniana foi justa e limpa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aconselhou a imprensa a “ter cuidado” com o material que vem do país, “porque é feito pela oposição”.

Jornalistas estrangeiros foram impedidos de trabalhar no Irã após a eleição.

“Às vezes fico meio chateado acompanhando o noticiário, porque a vitória do presidente do Irã não foi pequena. Agora, o fato de a oposição não se conformar de ter perdido e achar que tem o direito de bagunçar o que a maioria deu, a gente não pode aceitar nem lá, nem aqui, nem em lugar nenhum’’, disse Lula,

“O que eu condeno no Irã? A morte, a violência. E vocês da imprensa precisam ter cuidado com o material que vem de lá, porque é feito pela oposição. Já que a imprensa internacional não está podendo participar, estão pegando o material da oposição.”